Caça às bruxas após publicação de carta que critica presidente

Assinada por "leais membros do partido comunista", a carta pede a Xi Jinping que renuncie à presidência e à liderança do partido comunista

A publicação de uma carta anónima que critica o líder do partido comunista chinês e presidente da China gerou uma caça às bruxas. A mensagem, assinada por "leais membros do partido comunista", diz com todas as letras que Xi Jinping não é a pessoas adequada para liderar o partido e o país e que deve renunciar aos seus cargos.

"Sentimos que não possui capacidade para liderar o partido e a nação para o futuro, e julgamos que já não é adequado para o cargo de secretário-geral. Pela causa do partido, pela paz a longo prazo e estabilidade do país, e para sua própria segurança pessoal e da sua família, pedimos-lhe que renuncie a todas as posições no partido e à liderança do país e deixe o comité do partido comunista e o povo escolher um líder virtuoso que possa vigorosamente guiar-nos no futuro", lê-se no último parágrafo da carta, depois de enumeradas algumas críticas à governação de Xi Jinping.

Os signatários censuram nomeadamente a "excessiva concentração de poderes" do líder chinês, a qual levou, defendem, "a problemas e crises sem precedentes nas esferas política, económica, ideológica e cultural". Consideram, por exemplo, que Xi Jinping "não só não conseguiu criar um ambiente internacional favorável, como permitiu à Coreia do Norte completar com sucesso testes nucleares, criando uma enorme ameaça para a segurança nacional da China".

Defendem que o abandono do conceito "um país, dois sistemas" "criou um novo dilema, permitindo ao Partido Democrático Progressista ganhar poder em Taiwan e deixando o sentimento independentista crescer em Hong Kong".

Dizem que a política económica levada a cabo criou "instabilidade nos mercados bolsista e imobiliário, permitindo que a fortuna de centenas de milhares de pessoas comuns desaparecesse".

Embora admitindo que a política anticorrupção teve efeitos positivos, os signatários consideram que esta originou mais negligência em todos os níveis de governo e que esta não é mais do que uma luta pelo poder.

Inicialmente publicada pelo site Canyu, um site em língua chinesa sedeado nos Estados Unidos de um ativista dos direitos humanos, Cai Chu, a carta acabou por surgir depois num site noticioso chinês, o Wujie, escreve o The Guardian. Embora tenha passado praticamente despercebida no início, o facto de as autoridades chinesas terem iniciado uma caça às bruxas acabou por chamar a atenção para o seu conteúdo.

O site onde foi originalmente publicada, há um mês, foi alegadamente alvo de um ataque informático. O site Wujie, onde apareceu mais tarde, foi supostamente encerrado pela censura e os seus funcionários detidos. Um jornalista, Jia Jia, que terá alertado este site para não publicar a carta, também foi detido e entretanto libertado.

Na semana passada, dois jornalistas chineses exilados terão sido perseguidos. A um, Wen Yunchao, detiveram os pais e o irmão e questionaram-nos acerca da carta, depois de este ter republicado a mesma no Twitter. A outro, Chang Ping, também detiveram a família depois de ter escrito um comentário num jornal alemão em que criticava a detenção de Jia Jia.

No total, diz o The Guardian, as autoridades chinesas detiveram mais de 20 pessoas na sequência da divulgação da carta.

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