Bruxelas reafirma posição da UE sobre condenação a 17 ativistas angolanos

A diplomacia angolana tinha avisado hoje os diplomatas da UE acreditados em Luanda que não volta a aceitar "ingerências" nos assuntos internos

A Comissão Europeia reafirmou hoje que a declaração local de há dois dias sobre a condenação de 17 ativistas angolanos reflete a posição da União Europeia (UE) e que decorre "diálogo e cooperação" entre as duas partes.

"A declaração local foi assinada pelos Estados-membros da UE presentes no país e pela Noruega. (A declaração) reflete a posição da UE e é parte do nosso diálogo e cooperação com Angola", lê-se numa nota da Comissão enviada à agência Lusa.

A diplomacia angolana tinha avisado hoje os diplomatas da UE acreditados em Luanda que não volta a aceitar "ingerências" nos assuntos internos, classificando a recente declaração daqueles embaixadores sobre a condenação de 17 ativistas como uma atitude "inamistosa".

A posição foi assumida aos jornalistas pelo secretário de Estado das Relações Exteriores, Manuel Augusto, que, em nome do Governo angolano, chamou hoje o embaixador da UE em Luanda, Gordon Kricke, para, disse, "prestar esclarecimentos" sobre a posição conjunta daquela delegação e das embaixadas dos Estados-membros.

"Não é normal o procedimento, o Ministério das Relações Exteriores não foi previamente contactado pela delegação da UE sobre a divulgação dessa declaração, pelo que tivemos uma conversa de esclarecimento", explicou o governante, falando aos jornalistas no final desta reunião.

Na declaração, emitida a 29 de março, os diplomatas europeus - delegação da UE, embaixadas dos Estados-membros e embaixada da Noruega - afirmavam esperar que os anunciados recursos da condenação dos 17 ativistas angolanos, a penas entre os dois anos e três meses a oito anos e meio de cadeia, permitam respeitar os direitos destes jovens.

"Manifestamos profundo descontentamento com uma atitude que consideramos no mínimo inamistosa", disse o secretário de Estado angolano, admitindo ainda "grande preocupação por este tipo de atuação". No final da reunião, que se prolongou por cerca de 30 minutos, na sede do Ministério das Relações Exteriores, o embaixador da UE, Gordon Kricke, não quis prestar declarações aos jornalistas.

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