"Britânicos pareciam baratas tontas", diz Timmermans

Em entrevista ao programa da BBC Panorama, o vice-presidente da Comissão Europeia Frans Timmermans afirma que os ministros britânicos que iniciaram as conversações para o Brexit, em 2017, não tinham qualquer plano.

"Esperava que chegassem com uma série de magias do Harry Potter retiradas de um qualquer cofre em Westminster", diz o socialista holandês Frans Timmermans, primeiro vice-presidente da Comissão Europeia. Em vez disso, percebeu que "estavam totalmente impreparados", comoconta ao programa da BBC Panorama, que esta quinta-feira transmitirá um especial sobre a crise do Brexit. "They were running around like idiots ["Andavam às voltas como idiotas", ou "como baratas tontas"]", comenta.

Timmermans refere-se ao início das negociações sobre o Brexit, em 2017, após o Reino Unido ter, em referendo de 23 de junho de 2016, optado pela saída da União Europeia e a primeira-ministra Theresa May ativar o artigo 50º do Tratado de Lisboa, que permite a um país-membro iniciar o processo de saída.

Já em março de 2019 Timmermans tinha dito a outro jornalista da BBC, Nick Robinson, ter ficado "chocado" com a falta de preparação da delegação britânica quando se iniciaram as negociações. "Achávamos que eram tão brilhantes." Mas, conta, ao ver o então responsável do governo para o Brexit, David Davis, a falar em público, mudou de ideias. "Vi que não tinha vindo, não tinha negociado e andava a armar-se em bom. E pensei: "Oh, meu Deus, eles não têm um plano, não tem plano nenhum." Francamente, fiquei muito chocado, porque o potencial de dano de não se ter um plano..."

Agora, Timmermans reforça a imagem de desorientação, recorrendo a uma personagem de uma série cómica britânica, Lance Corporal Jones: "É como gritar "Não entrem em pânico, não entrem em pânico" enquanto correm de um lado para o outro como idiotas."

Timmermans defende a realização de um segundo referendo e já atacou duramente Boris Johnson, um dos prospetivos sucessores de Theresa May, dizendo que se trata de "um racista borderline". Referia-se a declarações de Johnson em que que referiu Barack Obama como "meio queniano". "Não chega dizer que não se concorda com o ponto de vista do presidente americano?", perguntou então Timmermans num blogue. "Porquê tentar descredibilizar não só as suas motivações mas também a sua pessoa, com observações que roçam o racismo?"

Também a comparação da UE com Hitler na tentativa de "unificar a Europa", igualmente da autoria de Boris Johnson, fez saltar a tampa a Timmermans. "Acusar quem acredita na UE de estar a tentar acabar o trabalho iniciado por Hitler é, para ser simpático, um pouco de mais. Quando é que o ódio se tornou parte integral desta questão? Qual a necessidade?"

Recorde-se que no final de 2018 foi finalmente alcançado um acordo de saída entre o Reino Unido e a UE, mas o parlamento britânico chumbou-o três vezes, desencadeando a demissão da primeira-ministra Theresa May e empurrando a data de saída para 31 de outubro deste ano.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG