Boris janta com Merkel para mudar acordo. Maioria exige novo referendo

No dia em que o primeiro-ministro britânico Boris Johnson se reúne com a chanceler alemã Angela Merkel, uma nova sondagem mostra que 52% dos britânicos defende que qualquer alteração ao acordo já negociado com a UE deve ir a votos antes da saída do Reino Unido da UE.

A pouco mais de dois meses da data marcada para a saída do Reino Unido da União Europeia - 31 de outubro - e com o primeiro-ministro Boris Johnson a caminho de Berlim para um jantar com a chanceler Angela Merkel em que a irá tentar convencer a fazer alterações ao acordo negociado por Theresa May e por três vezes rejeitado pelo Parlamento britânico, uma nova sondagem mostra que a maioria dos britânico quer que qualquer novo acordo vá a referendo.

Um estudo do instituto Kantar revela que 52% dos inquiridos quer um voto popular sobre qualquer novo acordo para o Brexit, enquanto 29% se opõem a um novo referendo.

Esta noite, Boris Johnson vai jantar com Merkel, a quem deverá tentar convencer a mexer no acordo se não quer uma saída do Reino Unido sem qualquer acordo a 31 de outubro.

Mais de três anos depois de a maioria dos britânicos ter votado em referendo a favor da saída da UE, os termos em que o país que aderiu em 1973 vai deixar o bloco europeu permanecem pouco claros.

Uma das questões mais sensíveis é o chamado backstop , o mecanismo de salvaguarda destinado a evitar o regresso a uma fronteira física entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte depois da saída do Reino Unido da UE.

Na terça-feira, Merkel deixou bem claro que está "aberta a soluções práticas" para o backstop, mas sublinhou que o acordo de saída negociado por Theresa May não vai ser reaberto

O encontro com Merkel marca a primeira viagem ao estrangeiro de Boris Johnson como primeiro-ministro. Um mês depois de tomar posse, na sequência da demissão de Theresa May e após vencer a corrida à liderança do Partido Conservador, o chefe do governo de Londres segue depois de Berlim para Paris, onde tem encontro marcado com o presidente Emmanuel Macron.

No sábado, os três juntam-se aos líderes dos EUA, Canadá. Itália e Japão para a cimeira do G7 em Biarritz.

Tusk rejeita pedido para deixar cair backstop

Também na terça-feira, a União Europeia rejeitou a exigência feita por Boris Johnson para que deixem cair a ideia do backstop

"O backstop é uma garantia para evitar o regresso de uma fronteira física na ilha da Irlanda a menos que - e até que - uma alternativa seja encontrada. Aqueles que estão contra o backstop não estão a propor alternativas realistas e, na verdade, estão a apoiar o regresso de uma fronteira. Apesar de não admitirem", escreveu Donald Tusk no Twitter.

O presidente do Conselho Europeu respondia assim à carta enviada por Johnson na segunda-feira à noite a pedir que o backstop fosse removido do acordo de retirada do Reino Unido da UE. Mas não apresentava qualquer alternativa a uma proposta que já foi rejeitada pela UE inúmeras vezes.

A questão do backstop foi uma das que levou o Parlamento britânico a rejeitar por três vezes o acordo de saída que Theresa May negociou com Bruxelas e com os 27. A crise que daí surgiu levou à demissão da primeira-ministra britânica.

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