Brasil não vai aceitar "relativização da soberania" na Amazónia, avisa ministro

O presidente francês Emmanuel Macron havia dito que se impõe a discussão sobre um estatuto internacional da floresta amazónica

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, rebateu na noite de segunda-feira o presidente francês, Emmanuel Macron, e disse que o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) não aceitará qualquer ação que tenha por objetivo "relativizar a soberania sobre o seu território".

Macron disse nesta segunda que se impõe a discussão sobre um possível "estatuto internacional" da floresta amazónica.

Para o francês, o estatuto internacional "é um caminho que permanecerá aberto, nos próximos meses e anos, pois o desafio no plano climático é tal que ninguém pode dizer "não é problema meu"".

Araújo criticou a ideia levantada pelo presidente da França em uma sequência de mensagens publicadas nas redes sociais.

O chanceler disse que Macron não conseguiu emplacar sua ideia de uma "iniciativa para a Amazónia" no comunicado final da cimeira do G7 - o texto saiu enxuto e não menciona a floresta.

"Ninguém precisa de uma nova 'iniciativa para a Amazónia' como sugere o presidente Macron quando já existem no âmbito da Convenção do Clima da ONU vários mecanismos para financiar o combate ao desmatamento e a reflorestação", escreveu Araújo.

Ele cobrou ainda que a França e outros países desenvolvidos cumpram compromissos ambientais já assumidos em mecanismos internacionais.

"Está muito evidente o esforço, por parte de algumas correntes políticas, de extrapolar questões ambientais reais transformando-as numa 'crise' fabricada, como pretexto para introduzir mecanismos de controlo externo da Amazónia", complementou o chanceler.

"O Brasil não aceitará nenhuma iniciativa que implique relativizar a soberania sobre o seu território, qualquer que seja o pretexto e qualquer que seja a roupagem", concluiu.

As declarações de Macron não foi comentada apenas por Araújo.

No final de uma reunião com o presidente Bolsonaro e os ministros no Ministério da Defesa, o porta-voz da presidência, Otávio Rêgo Barros, disse que "sobre a Amazónia brasileira, fala o Brasil".

"Sobre a Amazónia brasileira fala o Brasil e as suas Forças Armadas. E mais do que o Brasil e suas Forças Armadas, a sociedade, que são as Forças Armadas não fardadas", disse o porta-voz.

* Jornalista da Folha de São Paulo

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