Brasil. Depois de Mandetta e Moro, a próxima a sair do governo deve ser Regina Duarte

"Acho que ele está me dispensando", disse a atriz, referindo-se a Jair Bolsonaro, em conversa com a assessora. Em causa, o retorno ao governo, por decisão do presidente, do maestro que acha que o rock conduz ao aborto e uma indicação de Edir Macedo. Reunião em breve deve selar demissão.

Uma reunião nesta quarta-feira em Brasília entre Jair Bolsonaro e Regina Duarte definirá o futuro da recentemente nomeada (a 4 de março) secretária da Cultura do governo de extrema-direita do Brasil. Pelos últimos indicadores, a ex-atriz de Globo, de 72 anos, deve estar de saída.

Entre esses indicadores, o mais importante foi a renomeação para a Funarte, uma fundação de apoio às artes, do maestro Dante Mantovani, que havia sido exonerado no contexto da entrada de Regina Duarte no governo.

Mantovani ficou conhecido por associar a música rock ao satanismo e ao aborto. "O rock ativa as drogas, que ativam o sexo livre, que ativa a indústria do aborto, que ativa o satanismo", afirmou o seguidor de Olavo de Carvalho, o filósofo brasileiro radicado nos Estados Unidos que é guru também da família presidencial e do seu núcleo mais próximo.

Regina Duarte não foi informada da readmissão do maestro.

Em áudio partilhado pela revista Crusoé , entretanto, Regina Duarte e a sua assessora falam desse tema e da indicação de um outro nome para a secretaria de cultura supostamente indicado por Edir Macedo, o bispo que controla a IURD. Na conversa, a ex-atriz desabafa: "Que loucura isso, que loucura, eu acho que ele está me dispensando".

Bolsonaro já verbalizou o descontentamento pela ausência física de Regina Duarte - está de quarentena em São Paulo por pertencer ao grupo de risco do coronavírus e não no gabinete em Brasília. "Infelizmente a Regina está trabalhando pela internet (...) Eu gosto de conversar pessoalmente com as pessoas. A gente espera que restabeleça a normalidade rapidamente no Brasil para poder funcionar", disse o presidente.

Já no dia 23 de abril, Regina vira, a nomeação de Aquiles Brayner para o cargo de diretor do Departamento de Livro, Literatura e Bibliotecas ser cancelada após influencers bolsonaristas acusarem o doutorado em literatura e graduado em psicologia e biblioteconomia, de ser "um traidor" e "um esquerdista infiltrado".

Cinco dias lapós a posse da ex-atriz, o Palácio do Planalto também cancelara a nomeação de Maria do Carmo Brant de Carvalho da Secretaria de Diversidade Cultural, por ser filiada ao PSDB - o partido de Fernando Henrique Cardoso, de José Serra, de Aécio Neves, de Geraldo Alckmin. Na internet, os mesmos bloggers chamaram-na de "petista", ou seja, de membro do Partido dos Trabalhadores.

No discurso de posse, Regina Duarte lembrou o presidente de que ele lhe dera "carta branca". Mais ou menos o mesmo que Bolsonaro dissera a Sergio Moro, o ministro da justiça e da segurança que se demitiu acusando o Planalto de interferência em investigações e de pressões para mudar o diretor da polícia federal por algupem próximo do clã Bolsonaro.

Antes de Moro, o mais popular dos ministros do governo, caiu o segundo mais popular deles, o titular da saúde Luiz Henrique Mandetta, que coordenava com forte aprovação popular o combate ao coronavírus. No caso, a saída deveu-se à decisão de Mandetta de seguir as recomendações de isolamento social recomendadas pela Organização Mundial de Saúde.

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