Borrell: UE não quer converter Bielorrússia numa "segunda Ucrânia"

União Europeia rejeitou o resultado das eleições presidenciais de 9 de agosto, que deram um novo mandato a Lukashenko, que está no poder há 26 anos.

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, disse que Bruxelas não quer converter a Bielorrússia numa "segunda Ucrânia", referindo que é necessário negociar com o presidente Alexander Lukashenko.

Numa entrevista publicada este domingo no diário espanhol El País, o Alto Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, afirmou que Bruxelas "não tem intenção de converter a Bielorrússia numa segunda Ucrânia", referindo-se ao conflito com a Rússia após a anexação da Crimeia em 2014.

A UE rejeitou o resultado das eleições presidenciais de 09 de agosto, na Bielorrússia, país onde têm ocorrido vários protestos após a reeleição de Lukashenko, que está no poder há 26 anos.

"A tensão entre a Europa e a Rússia foi marcada com tiros, violência e uma desintegração do território ucraniano que ainda hoje perdura. O problema dos bielorrussos hoje não é escolher entre a Rússia e a Europa. Trata-se de escolher entre liberdade e democracia", afirmou Borrell.

O chefe da diplomacia europeia realçou que é necessário continuar o diálogo com Lukashenko, comparando com a situação do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

"Maduro e Lukashenko estão exatamente na mesma situação. Não reconhecemos que foram eleitos legitimamente. Mas, queiramos ou não, eles controlam o Governo e devemos continuar a lidar com eles, embora não reconheçamos a sua legitimidade democrática", explicou.

A crise na Bielorrússia foi desencadeada após as eleições de 09 de agosto, que segundo os resultados oficiais reconduziu o presidente Alexander Lukashenko, no poder há 26 anos, para um sexto mandato, com 80% dos votos.

A oposição denuncia a eleição como fraudulenta e milhares de bielorrussos saíram às ruas por todo o país para exigir o afastamento de Lukashenko.

Os protestos têm sido duramente reprimidos pelas forças de segurança, com quase 7.000 pessoas detidas, dezenas de feridos e pelo menos três mortos.

Mais Notícias