Boris Johnson apoia acordo de May. Mas será suficiente?

Deputados votam às 14.30 o acordo de saída, sem a declaração política sobre a relação futura com a União Europeia. O ex-chefe da diplomacia, um dos nomes que se fala para suceder a May, mantém críticas ao acordo mas teme que o Reino Unido arrisque continuar na UE sem ele.

O ex-chefe da diplomacia britânica, Boris Johnson, anunciou que vai votar esta sexta-feira a favor do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia negociado por Theresa May, que no passado tinha criticado. É uma mudança de opinião entre outras, mas será suficiente para avançar com o Brexit?

"Tenho sido e continuo a ser intensamente crítico do acordo. Mas temos agora que fazer uma escolha, e isso siginifica escolher entre as opções que verdadeiramente existem. Cheguei à triste conclusão que nem este governo nem este parlamento estão dispostos a sair sem acordo", escreveu no Twitter. "Corremos então o risco de sermos forçados a aceitar uma versão ainda pior do Brexit ou até perder o Brexit. Um mau acordo que temos a oportunidade de melhorar no próximo passo de negociações tem que ser melhor do que essas alternativas", acrescentou.

Johnson acrescentou ainda que é "muito doloroso votar no acordo", mas que espera que os deputados possam trabalhar juntos para "remediar os seus defeitos, evitar a armadilha do backstop [o mecanismo de salvaguarda que evita uma fronteira física entre Irlanda do Norte e Republica da Irlanda] e entregar o Brexit que as pessoas votaram".

O ex-chefe da diplomacia, que é um dos conservadores que está na calha para substituir Theresa May quando esta se demitir (disse que o faria após a aprovação do seu acordo de Brexit, abrindo caminho a que outros negociassem a relação futura com a União Europeia), não é o único que já revelou que vai votar a favor.

Ian Duncan Smith, ex-líder conservador, disse no debate que vai votar a favor. Tudo porque teme que se não o fizer, o Reino Unido sai sem acordo a 12 de abril. Também o conservador escocês Ross Thomson anunciou que vai apoiar o acordo, depois de ter votado contra duas vezes. Resta saber quantos vão seguir o mesmo exemplo. O acordo foi rejeitado por 230 votos a 15 de janeiro e por 149 votos a 12 de março.

O que se vota hoje?

Os deputados britânicos votam hoje, às 14.30, o acordo de saída negociado por May, que até agora incluia também a declaração política sobre a relação futura entre Reino Unido e União Europeia. Não é considerado um terceiro voto vinculativo, porque não inclui esta última parte. O líder da Câmara dos Comuns, John Bercow, não aceitou qualquer emenda ao texto apresentado pelo governo.

O acordo de saída inclui, entre outras coisas, a garantia do pagamento da "conta do divórcio" de 39 mil milhões de libras, a garantia dos direitos dos cidadãos europeus que vivem no Reino Unido e dos britânicos que vivem no resto da União Europeia, assim como o polémico backstop.

A aprovação do acordo de saída (sem a declaração política) é válida para Bruxelas, que disse a May que esta garantiria um adiamento do Brexit até 22 de maio caso conseguisse esta aprovação ainda esta semana. Caso contrário (e se os deputados rejeitarem o acordo), a primeira-ministra tem até 12 de abril para dizer qual é o seu plano, que até pode passar por pedir a Bruxelas um adiamento maior da saída (o que obrigará contudo o Reino Unido a participar nas eleições europeias). Existe ainda a hipótese de sair sem acordo a 12 de abril.

O problema é que a legislação britânica estipula que, para o Brexit ser homologado pelo Parlamento britânico, tanto o acordo de saída como a declaração política têm que ser aprovados, pelo que este não corresponde a um terceiro voto vinculativo. A União Europeia mostrou sempre abertura em alterar a declaração política, não o acordo de saída.

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