Bolsonaro falta a debate e dá entrevista na concorrência

Líder das sondagens falou à TV Record, propriedade do seu apoiante Edir Macedo, enquanto na TV Globo sete candidatos criticavam a sua ausência

"Bolsonaro, você amarelou", disse Marina Silva (Rede), usando uma expressão brasileira que significa "acovardar-se", olhando para a câmara durante o debate com mais seis candidatos à presidência da República nos estúdios da TV Globo, no Rio de Janeiro. À mesma hora, passava na concorrente TV Record, televisão ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, entrevista do presidenciável do PSL no seu apartamento, também no Rio, no que foi considerado como uma afronta pelos demais rivais.

"Eu não sou tão mau assim", disse Bolsonaro na Record. "Foi a esquerda que nos dividiu e ficamos brigando entre nós", completou. Para o candidato de extrema-direita são "inverídicos" os rótulos de homofóbico, machista e racista que lhe colaram. "Chamam-me isso porque não me podem chamar de corrupto". Mais tarde, o capitão na reserva partilhou uma imagem nas redes sociais, na sala de sua casa, a assistir ao programa do humorista da Record Danilo Gentili, que é seu apoiante, à mesma hora em que decorria o debate na Globo.

Lá, além dos ataques a Fernando Haddad, do PT, o mais bem colocado das sondagens entre os participantes, todos apontaram a mira para o ausente da noite. "É um mentiroso, queria que ele estivesse aqui para eu tirar a máscara dele na frente de todo o mundo", disse Ciro Gomes, do PDT, que já na véspera havia dito que "apresentar atestado médico falso para não participar em debate é crime, eu vou te pegar Bolsonaro". Segundo a assessoria do líder das sondagens, a sua ausência do debate deveu-se a conselho médico.

Henrique Meirelles, do MDB, disse acreditar que "o Brasil não embarque numa aventura" e Marina insistiu na tese de que "ele, mais uma vez, amarelou". Quando ouviu a acusação, de Ciro, de que Bolsonaro foi uma criação da má gestão do PT, Haddad recusou: "O PT não criou o monstro". À mesma hora, na Record, Bolsonaro chamava Haddad de "fantoche de Lula", dando o mote do que pode ser a campanha da segunda volta, caso os dois se apurem, como as sondagens fazem prever.

Na última delas, divulgada ontem pelo Instituto Datafolha, Bolsonaro chega a 39% dos votos válidos, contra 25% de Haddad. Ciro soma 13%, Alckmin 9% e Marina 4%. Numa simulação de segunda volta, dá-se um empate técnico 44-43 entre os dois candidatos da frente. A primeira volta das presidenciais brasileiras estão marcadas para domingo e a eventual segunda volta para dia 28.

Em São Paulo

Mais Notícias