Bolsonaro escolhe português para Procurador-Geral da República

Alcides Martins, atual procurador-geral adjunto, de 70 anos, nascido em Vale de Cambra, assume como interino. Mas observadores acreditam que poderá manter-se indefinidamente no cargo "porque é tudo o que o presidente sempre quis: ultracatólico, conservador e discreto".

Depois de meses de indefinição, Jair Bolsonaro optou por deixar à frente da Procuradoria-Geral da República do Brasil, cuja atual titular, Raquel Dodge, terá de deixar o cargo dia 18 de setembro, o atual procurador-geral adjunto. Alcides Martins, vice-presidente do Conselho Superior do Ministério Público Federal, nascido em Vale de Cambra, distrito de Aveiro, há 70 anos, assume interinamente, por lei, a partir desse dia.

O jornal O Globo e a colunista do portal UOL Constança Rezende adiantam que é intenção do presidente da República manter o procurador-geral adjunto no cargo indefinidamente. "Martins é tudo que Bolsonaro sempre quis: ultracatólico, conservador e discreto. Procuradores lembram à reportagem que, em encontros da categoria, o procurador-geral adjunto, que é português, costuma puxar orações mas sempre de forma respeitosa", escreve Rezende.

Antes, outros nomes sugeridos por Bolsonaro, como o de Antonio Carlos Martins Soares, causaram fortes reações. Martins Soares foi dado como próximo da família presidencial. nomeadamente do senador Flávio Bolsonaro, sob investigação por corrupção e lavagem de dinheiro. "Vou botar um petista [militante do PT] na Procuradoria-Geral? Vou botar alguém do [partido de extrema esquerda] PSOL? Vou botar um cara que vai trabalhar contra as nossas pautas de meio ambiente, de segurança pública e de costumes? Não tem sentido. O meu entendimento é esse. Tem que ver o do presidente", disse, na semana passada, Flávio, filho mais velho de Bolsonaro.

Dado o ruído levantado, comentadores acreditam que Alcides Martins possa continuar no cargo até porque tem outras vantagens - por assumir a chefia da procuradoria interinamente por lei, ao contrário de Soares não teria de ver o seu nome aprovado no Senado, o que causaria desgaste na relação entre presidência a a câmara alta. Caso desagrade a Bolsonaro, aí sim, o presidente escolherá outro nome em definitivo.

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