Bolsonaro demite chefe da polícia apesar de Moro voltar atrás na demissão

Ministro da Justiça tinha ameaçado sair do governo brasileiro, caso o diretor-geral da polícia federal fosse exonerado.

Jair Bolsonaro demitiu mesmo o diretor-geral da polícia federal Maurício Valeixo, apesar da ameaça de demissão de Sergio Moro. Na quinta feira o ministro da justiça tinha manifestado a intenção de sair do governo brasileiro depois de saber que o presidente tinha intenção de dispensar os serviços do chefe da polícia, um homem da estrita confiança do ex-juiz. Como Bolsonaro recuou, o ministro da justiça acabou por se manter no cargo, mas algumas horas depois soube-se que Valeixo foi mesmo demitido.

Segundo a Folha de São Paulo, a decisão foi oficializada em Diário Oficial da União esta sexta-feira. Ainda segundo o jornal brasileiro, apesar da exoneração de Valeixo ter sido assinada eletronicamenete por Bolsonaro e Moro, este último não o fez formalmente e não sabia da publicação do anúncio que tornou oficial a saída.

A queda de Valeixo era já dada como certa em alguns setores, numa altura em que tinha em mãos a investigação de casos em torno de Jair Bolsonaro, dos filhos do Presidente e de pessoas da sua confiança, como é o caso de uma campanha de notícias falsas dirigidas contra juízes do Supremo Tribunal Federal (STF). Daí a demissão de Valeixo ter-se tornado uma questão de honra para Moro.

Tem agora a palavra o ministro da Justiça, que já marcou uma conferência de imprensa para as 11.00 (15.00 em Portugal) e, segundo a Globo, deve apresentar a demissão. Já segundo a revista Veja, para Bolsonaro ninguém é insubstituível e o governante já tem um nome para o lugar de Moro. Trata-se de Jorge Oliveira, atual ministro-chefe da secretaria-geral da presidência da República e amigo de longa data do presidente.

Moro é considerado um "super ministro" por juntar justiça e segurança numa só pasta e pela popularidade que obteve enquanto juiz do escândalo do Petrolão. Entre os políticos que Moro condenou está Lula da Silva, que liderava as sondagens para a eleição presidencial em que Bolsonaro acabaria por ser eleito.

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