Boko Haram manda "prova de vida" das alunas de Chibok

Nas imagens divulgadas pela CNN, as raparigas surgem uma a uma diante da câmara e dizem o seu nome.

Sequestradas do dormitório da escola da aldeia de Chibok na noite de 14 de abril de 2014 por militantes do Boko Haram, das 276 alunas 57 conseguiram escapar pouco depois. Das restantes 219 pouco mais se soube. Até ontem, quando a CNN divulgou um vídeo com a "prova de vida" enviada pelo grupo islamita para os negociadores que fazem a ligação entre o Boko Haram e o governo da Nigéria.

Para os pais das raparigas, que esperavam aproveitar o segundo aniversário do rapto para voltar a colocar o assunto nos media, este é um desenvolvimento inesperado. Até agora, a única imagem das alunas que tinham visto era a de um vídeo divulgado na Internet em maio de 2014 pelo próprio Boko Haram. Agora, Rifkatu Ayuba não resiste a gritar "A minha Saratu!" ao olhar para as novas imagens da filha, de 15 anos, no ecrã do portátil. A adolescente surge de abaya púrpura e véu na cabeça. Olha diretamente para a câmara.

Segundo a CNN, o vídeo com a prova de vida das alunas terá sido feito em dezembro, como parte entre o governo do presidente Muhammadu Buhari e o Boko Haram. Nas imagens, as raparigas passam diante de um muro pintado de amarelo e sujo, não revelando sinais exteriores de maus tratos. Uma a uma, vão dizendo o nome e a escola de onde foi levada. O vídeo dura pouco mais de dois minutos.

Nos últimos dois anos, estima-se que o Boko Haram tenha sequestrado mais de dois mil jovens - rapazes, mas sobretudo raparigas -, que usa como cozinheiras, escravas sexuais, combatentes e até bombistas suicidas. Criado em 2002, o grupo de Abubakar Shekau prestou vassalagem em 2015 ao Estado Islâmico. Empenhado em impor a charia - a lei islâmica - no Norte da Nigéria, o nome do grupo (que atua também no Chade, Níger e Camarões) significa "a educação ocidental é um pecado".

Mais Notícias

Outras Notícias GMG