Boeing 747: o último gigante da Qantas despede-se com um canguru nos céus

Fortemente atingida pelo impacto da pandemia de covid-19 - tal como todas as restantes companhias aéreas mundiais - a Qantas decidiu retirar os 747 da sua frota seis meses antes da data prevista para o adeus ao gigante dos céus, conhecido familiarmente por Jumbo Jet ou Rainha dos Céus

A Qantas despediu-se do seu último Boeing 747 com um último voo em que o piloto fez questão de deixar uma marca: a sua rota desenhou nos céus o canguru voador que é imagem da companhia aérea australiana.

Foram 150 as pessoas que na quarta-feira se juntaram no aeroporto de Sydney para dizer adeus ao voo QF7474, deixando as suas mensagens na fuselagem do aparelho.

Fortemente atingida pelo impacto da pandemia de covid-19 - tal como todas as restantes companhias aéreas mundiais - a Qantas decidiu retirar os 747 da sua frota seis meses antes da data prevista para o adeus ao gigante dos céus, conhecido familiarmente por Jumbo Jet ou Rainha dos Céus. Em junho, a companhia aérea australiana anunciou que vai cortar seis mil postos de trabalho.

No mês passado, o tráfego de passageiros nos aeroportos europeus, por exemplo, caiu 93% em relação a junho de 2019.

"É difícil avaliar o impacto que o 747 teve na aviação e num país tão isolado como a Austrália", explicou à BBC Alan Joyce, CEO da Qantas. E acrescentou: "Este avião estava muito à frente do seu tempo e era muito fiável. Colocou as viagens internacionais ao alcance do australiano médio e as pessoas aproveitaram a oportunidade".

A frota de 747 da Qantas já transportou mais de 250 milhões de passageiros em quase meio século de serviço. Entre as celebridades que viajaram nestes gigantes dos céus conta-se a Rainha Isabel II. Também foram eles que transportaram todas as equipas olímpicas australianas desde 1984, garante a Reuters. .

Na semana passada a British Airways também anunciou que vai retirar todos os seus 747, dando preferência a aparelhos menos poluentes, como os novos Airbus A350 ou os Boeing 787 Dreamliners.

Os aviões que saem de circulação vão juntar-se a outros no deserto de Mojave, nos EUA, onde as condições climatérias - calor seco, baixa humidade e pouca chuva - garante que se preservam mais tempo sem enferrujar.

A 9 de fevereiro de 1969, o 747 fez o seu primeiro voo, sobrevoando a cidade americana de Everett, em Washington. Este dia marcaria uma "nova dimensão" na aviação, como dizia na altura a empresa. Depois deste, seguiram-se 1539 aparelhos construídos entre 1969 e 2015.

O primeiro voo comercial ligou Nova Iorque a Londres a 22 de janeiro de 1970 e foi operado pela companhia americana Pan Am, que acabou por apresentar falência em 1991.

O aparelho, reconhecível pela corcunda no convés superior, onde fica o cockpit, tem quatro motores, atinge velocidades de quase mil quilómetros por hora e tem um alcance de 13.450 km. O avião pode transportar mais de 450 passageiros ou 122 toneladas de carga. O modelo 747 tem uma envergadura de 60 metros, um comprimento de 70 metros e pesa mais de 330 toneladas.

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