Bruxelas confirma que belga infetado com o novo coronavírus viajou com portugueses no A380

O novo coronavírus, detetado na cidade chinesa de Wuhan, já fez 427 mortos e infetou mais de 20 600 pessoas.

Autoridades belgas identificaram esta terça-feira o primeiro caso de coronavírus no país. O cidadão belga, que não apresenta sintomas, mas "deu positivo" por duas vezes "no primeiro teste e no de controlo" ao coronavírus, que é feito "sempre", viajou no A380 que repatriou os 17 portugueses da cidade chinesa de Wuhan, o epicentro do surto.

As autoridades de saúde belgas anunciaram esta terça-feira que foi detetado o primeiro caso de coronavírus em Bruxelas, num paciente repatriado no segundo avião que aterrou no domingo em base militar francesa em Istres com cidadãos europeus, entre os quais os 17 portugueses que foram repatriados da região chinesa onde se regista o epicentro do contágio.

A ministra belga da Saúde, Maggie De Block, anunciou esta manhã que já contactou as autoridades de "todos os outros países", com cidadãos repatriados no mesmo avião, para lhes dar conta da presença do vírus num passageiro.

"Os testes nasais foram examinados no laboratório de Lovaina. E, durante a noite, recebemos os resultados e há uma pessoa - alguém que deu positivo duas vezes, porque há sempre um [teste] de controlo", anunciou Maggie De Block.

Contactado pelo DN, o porta-voz da ministra garantiu que o cidadão belga viajou mesmo no mesmo avião que os 17 portugueses. Jan Eyckmans explicou que as autoridades belgas contactaram todos os países envolvidos, inclusive Portugal, bem como a OMS. O porta-voz disse tratar-se do procedimento a seguir nestes casos, apesar de sublinhar que o risco de contágio é "muito limitado".

"A Bélgica informou todos os países que tinham passageiros a bordo. Foi feito imediatamente através do sistema de alerta rápido da União Europeia. E, a Bélgica declarou de imediato que um dos nossos repatriados que estava em quarentena, no nosso país, tinha dado positivo nos testes e que tínhamos obtido o resultado por volta da meia noite", disse Jan Eyckmans ao DN. Para o porta-voz, "dadas as condições do voo, o risco é muito limitado, mas somos obrigados a transmitir a informação a Portugal, e a todos os outros países. E, fizemos-lo imediatamente, assim que o soubemos, tanto aos Estados-membros, como à Organização Mundial de Saúde".

Quanto ao cidadão belga, "trata-se de um doente sem sintomas, mas as análises laboratoriais indicam que este está infetado, tendo nos dois testes realizados, sido detetada a presença do vírus", disse ainda o porta-voz.

Belga infetado teve pouco contacto com passageiros

O doente foi primeiramente examinado o hospital militar Reigne Astrid, que estava preparado para acolher os viajantes durante o período de quarentena. Acabando por ser transferido para um hospital especializado, assim que se detetou o contágio, adiantou o infecciologista, Patrick Soentjens, dizendo que o doente não apresentava outras questões de diagnóstico relevantes.

"Transferimos esse paciente para o centro de referência, que é o Hospital de Saint Pierre. Fizemos isso esta noite. O paciente foi transportado sem problemas e estava calmo, antes de ser deslocado", disse Patrick Soentjens.

Outro virologista do hospital Militar Reigne Astrid, Steven Van Gucht diz que as hipóteses de contágio a outros passageiros do avião A380, que saiu de Beja, com tripulação portuguesa, e que também repatriou os 17 portugueses da região de Wuhan são, ainda assim, remotas. O grupo de portugueses chegou no domingo ao aeroporto militar de Figo Maduro, em Lisboa, tendo ficado em isolamento profilático.

"Esta pessoa teve muito pouco contacto com os outros, dentro do grupo. Por isso, calculamos que seja muito pouco provável que as outras pessoas tenham sido contaminadas por esta com resultado positivo do vírus", assegurou Steven Van Gucht.

As restantes oito pessoas "vão permanecer em quarentena", no hospital militar, onde vão ser "analisadas regularmente", na expectativa de que "possamos estar cada vez mais seguros de que continuam [com resultados] negativos e podem sair da quarentena, como previsto", afirmou o virologista.

"Não tem sinais da doença, não está em pânico, pelo contrário, sente-se bem"

Um dado relevante, que surpreende até a equipa de especialistas, é que o doente não apresenta qualquer sintoma, embora seja portador do vírus, que já matou mais de 400 pessoas, e infetou mais de 20 600.

"É estranho, mas é verdade, esta pessoa não tem sinais da doença, não está em pânico, pelo contrário, sente-se bem", disse a ministra Maggie De Block, precisando que até ser detetado na Bélgica, o vírus deste paciente escapou a duas equipas de controlo.

"Antes de embarcar, foi visto por médicos franceses e chineses", detalhou, dizendo que o mesmo procedimento foi realizado para "todas as pessoas que estavam no avião, as quais foram controladas, ao nível dos sintomas de doença".

O doente está a ser tratado no piso 309 do Hospital de Saint Pierre, onde funciona o serviço de doenças infecciosas. Nesta unidade, uma equipa especializada esteve e formação, desde que começou a verificar a possibilidade da transmissão intercontinental do vírus.

Ao que o DN apurou, como medida de prontidão para responder à eventual propagação da doença, o Hospital de Saint Pierre encerrou uma unidade de cuidados intensivos para uma primeira resposta, tendo dez camas disponíveis para casos potencialmente graves.

A China elevou hoje para 427 mortos e mais de 20 600 infetados o balanço do surto de pneumonia provocado por um novo coronavírus (2019-nCoV) detetado em dezembro passado, em Wuhan, capital da província de Hubei (centro), colocada sob quarentena.

A primeira pessoa a morrer por causa do novo coronavírus fora da China foi um cidadão chinês nas Filipinas.

Em Hong Kong foi registada, esta terça-feira, a primeira vítima mortal devido à pneumonia viral causada pelo novo tipo de coronavírus. .

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou na quinta-feira uma situação de emergência de saúde pública de âmbito internacional, o que pressupõe a adoção de medidas de prevenção e coordenação à escala mundial.

Com Susete Henriques

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