Avenida Paulista grita "Fora, querida" a Dilma

A aprovação pelos deputados brasileiros do processo de destituição de Dilma Rousseff provocou festejos dignos do carnaval na Avenida Paulista

A aprovação pelos deputados brasileiros do processo de destituição da Presidente Dilma Rousseff provocou festejos dignos do carnaval na Avenida Paulista, em São Paulo, onde milhares de pessoas seguiram a votação em direto e gritaram "fora, querida".

Cada voto favorável à abertura do 'impeachment' foi sendo festejado pelos milhares que se concentraram na Avenida Paulista, que vaiava quem votava contra o processo movido contra Dilma Rousseff.

Em pé ou sentados, os manifestantes acompanharam a votação na câmara dos Deputados num ambiente de festa, enquanto bebiam cerveja ou sumos e comiam desde pipocas a churrasco fornecidos por vendedores ambulantes.

Enquanto a votação foi decorrendo, iam também entoando cânticos com palavras de ordem como "fora, PT" [Partidos dos Trabalhadores, de Dilma Rousseff] e "Lula na cadeia".

Muitos também ironizavam com o hábito da Presidente brasileira tratar as pessoas por "querida", gritando: "Fora, querida".

Quanto a aprovação do processo de 'impeachment' ficou a dez votos de ser aprovado pelos deputados, a multidão começou a fazer uma contagem decrescente, que culminou em euforia quando se confirmou a aprovação.

Os manifestantes vibraram, pularam e cantaram quando foi alcançado o voto número 342 a favor do processo de destituição, que determinou a sua aprovação.

Centenas de pessoas cantaram o hino do Brasil e empunharam bandeiras nacionais.

Rita de Cássia da Silva, 52 anos, disse à Lusa que estava na manifestação para tirar "o bando criminoso que está no Governo".

"Luto contra a corrupção. Agora os políticos vão entender que assim como colocámos eles no poder podemos tirá-los" disse.

Yuri Serruya, 27 anos, carioca, disse que foi até ao protesto na Paulista para encontrar pessoas com o mesmo pensamento político do que ele.

"Eu acho que houve crime de responsabilidade e que a Dilma Rousseff deve ser punida", disse à Lusa.

Marcos Tomio, 59 anos, consultor de vendas, que estava a tirar 'selfies' com outros manifestantes, que o abordavam por ser muito parecido com um dos protagonistas da operação Lava Jato, que investiga casos de corrupção na petrolífera estatal Petrobras, disse à Lusa que apoia a destituição da Presidente porque a situação económica do país "está horrível".

Com a aprovação do processo, a música e a festa tomaram conta da Paulista e ouviram-se os primeiros apelos ao Senado para avançar com o 'impeachment" de Dilma Rousseff.

O mesmo aconteceu em vários pontos do país.

Em Brasília, ainda antes da final da votação, começaram a ouvir-se foguetes e noutras cidades multidões festejaram também nas ruas com bandeiras do Brasil e faixas a dizer "tchau querida" e "Fora PT".

Os meios de comunicação locais mostram também lágrimas entre os grupos apoiantes da Presidente Dilma Rousseff.

A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou no domingo à noite o pedido de afastamento de Dilma Rousseff do cargo de Presidente por 367 votos a favor e 137 contra, numa sessão marcada por tensão e emoção.

Agora, o pedido de 'impeachment' segue para o Senado, onde também terá de ser aprovado, por maioria simples.

Se tal acontecer, Dilma Rousseff será temporariamente afastada do cargo e o seu vice-presidente, Michel Temer, assumirá o cargo.

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