OMS diz que novo vírus de Wuhan ainda não é emergência global

Organização Mundial de Saúde diz que o estado de emergência se confina para já à China, onde esta quinta-feira foi anunciada mais uma vítima mortal - fazendo subir o total para 18. As autoridades chinesas proibiram entradas e saídas em três cidades, visando conter a epidemia de um novo tipo de coronavírus.

O surto mortal de vírus que levou a China a reter cerca de 20 milhões de pessoas em várias cidades ainda não constitui uma emergência internacional de saúde pública, determinou esta quinta-feira a Organização Mundial da Saúde.

"Não vou ainda declarar uma emergência de saúde pública de preocupação internacional", disse o chefe da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus, após uma reunião de emergência de dois dias em Genebra, na Suíça, sobre o vírus.

"Esta é uma emergência na China, mas ainda não se tornou uma emergência de saúde global", justificou.

Tedros Ghebreyesus disse que "não há evidências" até ao momento de que o vírus se tenha espalhado entre humanos fora da China. "Até agora, não há evidências de transmissão de homem para homem fora da China, mas isso não significa que não aconteça", disse o chefe da OMS.

Mortes sobem para 18

Na China, as autoridades tentam a todo o custo controlar a proliferação do vírus, restringindo o movimento de pessoas em várias cidades próximas de Wuhan, onde o vírus surgiu pela primeira vez. Nesta quinta-feira, o número de vítimas mortais subiu para 18, após a Comissão de Saúde da província de Hubei, situada na zona limítrofe com Pequim, ter informado em comunicado da morte de um homem de 80 anos, diagnosticado com o novo vírus.

Nas medidas tomadas pelas autoridades chinesas, as ligações ferroviárias a Ezhou, cidade com cerca de um milhão de pessoas, ficam interrompidas durante período indeterminado, o que sucede depois de terem colocado as cidades vizinhas de Wuhan (11 milhões de habitantes) e Huanggang (7,5 milhões) sob quarentena de facto. Além disso, há restrições de viagem nas cidades de Chibi e Zhijiang, ambas de menor dimensão.

Também a Cidade Proibida de Pequim, classificada como Património Mundial desde 1987, foi encerrada pelas autoridades chinesas. Segundo um comunicado do museu citado pela AFP, o antigo palácio imperial vai fechar as suas portas a partir de sábado com o objetivo de "evitar os contágios ligados aos agrupamentos de visitantes". O Palácio Imperial das Dinastias Ming e Qing em Pequim, conhecido por Cidade Proibida, foi construído entre 1406 e 1420 pelo imperador Zhu Di, tendo sido visitado por 19 milhões de pessoas em 2019.

O vírus foi inicialmente reportado em Wuhan, no mês passado, e já matou oficialmente 18 pessoas.

As autoridades consideram que o país está no ponto "mais crítico" no que toca à prevenção e controlo do vírus. Há mais de 600 pessoas infetadas só no continente chinês e foram já detetados casos no Japão, Tailândia, Taiwan, Hong Kong, Coreia do Sul, Estados Unidos e Macau.

Esta quinta-feira há registo de novos casos, agora em Singapura e no Vietname. Neste país, pai e filho chineses, ambos de Wuhan e a trabalhar no Vietname, estão hospitalizados em Ho Chi Minh e os testes já confirmaram que foram atingidos pelo coronavírus. Também o Ministério da Saúde de Singapura anunciou que um homem chinês, de 66 anos, está internado por ter sido contagiado. Além disso, uma mulher chinesa está a ser submetida a testes. As duas pessoas são também originárias de Wuhan.

O caso de uma enfermeira indiana que trabalha na Arábia Saudita foi dado como certo pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Índia mas as autoridades sauditas e indianas não confirmam.

Na Escócia, quatro pessoas estão a ser "testadas" por suspeita de coronavírus, depois de terem chegado ao país provenientes de Wuhan, China.

O Ministério da Saúde do Brasil afirmou esta terça-feira que está em alerta para o risco de transmissão do coronavírus no país e que cinco casos suspeitos da doença que estavam a ser investigados foram descartados.

As autoridades do Texas, EUA, informaram, entretanto, que estão a investigar um segundo caso suspeito do novo tipo de coronavírus. O departamento de saúde do condado de Brazos refere que o "paciente viajou de Wuhan, onde o surto começou". "O paciente tem estado isolado em casa enquanto os testes são realizados".

Caso os exames confirmem que se trata do novo vírus, eleva-se para duas as pessoas que estão infetadas com este tipo de coronavírus em solo norte-americano. Na terça-feira, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA anunciou no dia 21 de janeiro que o primeiro caso de pneumonia com o vírus Wuhan foi detetado nos Estados Unidos, no estado de Washington.

Está comprovado que o vírus se transmite sobretudo através das vias respiratórias. "Já há casos de transmissão e infeção entre seres humanos e funcionários de saúde infetados", disse Li Bin, vice-diretor da Comissão Nacional de Saúde da China, em conferência de imprensa. "As evidências demonstram que a doença foi transmitida por via respiratória e existe a possibilidade de uma mutação do vírus", detalhou.

Há pelo menos 15 médicos em Wuhan infetados depois de terem estado em contacto com pacientes. Os serviços de saúde chineses estão a acompanhar 5.897 pessoas que mantiveram contacto próximo com os pacientes infetados.

O Comité de Emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS) esteve reunido em Genebra, na Suíça, para analisar a hipótese de se declarar emergência de saúde pública internacional e determinar que recomendações serão feitas para controlar o coronavírus. Mas decidiu não fazer de imediato essa declaração e esperar para observar a evolução do vírus.

Os casos alimentam receios sobre uma potencial epidemia, semelhante à da pneumonia atípica, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que entre 2002 e 2003 matou 650 pessoas na China continental e em Hong Kong. As autoridades disseram que ainda é cedo para comparar o novo vírus com o SARS ou o MERS, ou síndrome respiratória do Médio Oriente, em termos da sua capacidade letal.

Pequim cancela festejos

A cidade de Pequim anunciou esta quinta-feira o cancelamento das populares festividades que assinalam o Ano Novo chinês, com o intuito de conter a epidemia de um novo tipo de coronavírus que apareceu no mês passado na cidade de Wuhan e se propagou a outras cidades e países, infetando centenas de pessoas.

Tradicionalmente, os habitantes de Pequim reúnem-se às centenas de milhares nos parques e jardins da capital para assistir às tradicionais danças do dragão e do leão.

[última atualização às 21:30]

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