Austrália quer que vacina contra a covid-19 seja obrigatória e gratuita

O governo australiano quer disponibilizar doses gratuitas de uma potencial vacina contra a covid-19. "Precisamos de uma resposta mais ampla e abrangente para fazer a Austrália voltar ao normal", afirmou o primeiro-ministro Scott Morrison.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, quer que a vacinação contra a covid-19 seja obrigatória mal haja uma vacina disponível. As exceções só devem acontecer quando existem razões médicas, mas a vacina deve "ser tão obrigatória quanto possível", afirmou.

Antecipando as críticas aos movimentos antivacinas, Morrison considerou que os riscos são demasiado grandes para permitir que a doença continue a espalhar-se livremente.

"Estamos a falar de uma pandemia que destruiu a economia global e tirou a vida de centenas de milhares em todo o mundo", referiu Morrison afirmando, no entanto, que o governo ainda não tomou uma decisão sobre esta matéria.

As declarações de Scott Morrison surgiram depois da assinatura de um acordo entre o governo e a farmacêutica AstraZeneca para fornecer uma potencial vacina contra a covid-19, que está a ser desenvolvida pela Universidade de Oxford.

O chefe do governo disse ainda que a vacina será gratuita para todos os cidadãos australianos e descreveu-a como sendo uma das mais promissoras e avançadas do mundo.

"Precisamos de uma resposta mais ampla e abrangente para fazer a Austrália voltar ao normal", afirmou o primeiro-ministro aos jornalistas.

"Os australianos vão estar entre os primeiros no mundo a receber a vacina [contra a covid-19], através de um acordo. Com este acordo, cada australiano receberá uma dose gratuita da vacina contra o novo coronavírus", escreveu Scott na rede social Twitter.

O acordo com a empresa farmacêutica permite que a Austrália tenha acesso à vacina - uma das cinco no mundo que está em fase avançada nos testes clínicos -, cujas doses serão disponibilizadas de forma gratuita a todos os cidadãos, segundo o executivo liderado por Scott Morrison.

"Se esta vacina se mostrar eficaz, iremos fabricar e entregar vacinas imediatamente, sem a ajuda de ninguém, e torná-las gratuitas para os 25 milhões de australianos", disse Morrison.

Morrison espera que a vacina esteja disponível no início do próximo ano, caso os ensaios clínicos tenham sucesso.

Desde o início da pandemia, a Austrália confirmou 23.993 infetados e registou 450 mortes, a maioria devido a um surto no estado Victoria.

Esta segunda onda de infeções levou as autoridades de Victoria a decretar o estado de calamidade no início deste mês e a impor novas medidas de restrição para conter o contágio.

Cinco vacinas no estado mais avançado dos testes clínicos

Nenhuma vacina contra o coronavírus que provoca a covid-19 se mostrou ainda eficaz em ensaios clínicos, mas já foram encomendadas pelo menos 5,7 mil milhões de doses em todo o mundo.

Cinco vacinas - três de países ocidentais, incluindo a "Oxford" e duas da China - estão na fase três dos testes, estando a ser aplicadas em milhares de pessoas.

A Comissão Europeia também anunciou na sexta-feira ter chegado a acordo com o grupo farmacêutico para adquirir uma potencial vacina contra a covid-19.

A Comissão afirmou que, "assim que a vacina se revelar segura e eficaz", comprará 300 milhões de doses, tendo ainda "opção de compra de mais 100 milhões para os Estados-membros".

Recentemente, Scott Morrison pediu a todos os países que partilhassem a futura vacina, afirmando acreditar que qualquer país que descubra uma vacina eficaz e não a partilhe "será muito mal avaliado pela História".

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