Atirador tinha ligações "óbvias" a Anders Breivik

A polícia revelou hoje que não encontrou relações entre o atacante e o Estado Islâmico, mas afirmou que este era obcecado por tiroteios

Não há indícios de que o atirador de Munique, identificado pela imprensa como Ali David Sonboly, tenha ligações ao Estado Islâmico, informou hoje a polícia de Munique, Hubertus Andrae, numa atualização da informação acerca do ataque de ontem no centro comercial Olympia, naquela cidade alemã.

As autoridades não deram mais informações acerca do atacante, um jovem de 18 anos alemão de ascendência iraniana, mas o jornal Bild publicou uma imagem que será do atirador.

Nas buscas efetuadas ao seu quarto não foram encontradas pistas para as razões do ataque, mas alguns recortes de jornais e documentos acerca de tiroteios. Entre o material encontrado estava o livro "Why Kids Kill", "Porque é que os miúdos matam?" em tradução literal, de Peter Langman.

Sem indícios de ligações ao Estado Islâmico, a polícia acredita contudo que o jovem se inspirou em Anders Breivik, o radical de direita autor do massacre que fez 77 mortes na Noruega, em 2011. Aliás, o ataque aconteceu precisamente quando se assinalavam cinco anos desde o massacre. O chefe da polícia disse na conferência de imprensa que existia uma ligação "óbvia" entre ambos os casos.

Em agosto de 2012 Breivik foi condenado a 21 anos de prisão por ter matado oito pessoas na explosão de uma bomba perto da sede do governo em Oslo e, depois, 69 outras a tiro, na maioria adolescentes que participavam num acampamento da juventude trabalhista. A sua pena pode ser prolongada enquanto for considerado perigoso.

Um porta-voz da procuradoria de Munique, citado pela BBC, o jovem alemão-iraniano terá sido vítima de ataques em 2010 e 2012. Numa dessas ocasiões terá sido agredido por três pessoas.

O chefe da polícia de Munique revelou que o ataque de ontem foi efetuado com uma arma semi-automática e que, ao lado do corpo do atirador, estava uma mochila com cerca de 300 balas. O atacante terá agido sozinho, reforçou Hubertus Andrae, e suicidou-se com um único tiro na cabeça. Já teria recebido acompanhamento psiquiátrico e tomado medicação, até porque teria sido alvo de dois ataques, em 2010 e 2012, tendo num deles sido agredido por três pessoas. Os pais, em choque, ainda não conseguiram ajudar a polícia nas investigações.

Entre as 18h00 de ontem e a meia-noite as autoridades receberam mais de 4300 chamadas de emergência.

Maioria das vítimas são adolescentes

Dos nove mortos, com idades compreendidas entre os 14 e os 45 anos, três são mulheres.

Sete das vítimas mortais eram adolescentes. Três tinham 14 anos, duas tinham 15, uma 17 e outra 19. As outras vítimas tinham 20 e 45 anos, indicou o chefe da polícia, segundo a Reuters.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia confirmou que três das vítimas do ataque de Munique eram de origem turca. O seu homólogo grego disse que uma era da Grécia.

A imprensa do Kosovo relata que outras três vítimas eram daquele país: Dijamant Zabergja, Armela Segashi e Sabina Sulaj. Esta informação ainda não foi confirmada oficialmente, mas o pai do primeiro esteve hoje no local do ataque e deu essa informação aos jornalistas. Também partilhou a notícia no Facebook.

Há ainda 16 pessoas internadas, três delas em estado grave.

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