Atirador de Las Vegas pode ter tido ajuda, diz xerife

Autoridades acreditam que Stephen Paddock teve ajuda para reunir o arsenal que foi entretanto recuperado pela polícia

O atirador de Las Vegas que matou 58 pessoas e se suicidou em seguida, naquele que foi o pior tiroteio da história moderna dos EUA, acumulou armas e munições ao longo de décadas e planeou meticulosamente o ataque, admitem as autoridades.

Mas o que levou Stephen Paddock, de 64 anos, a agir, permanece um mistério. "O que sabemos é que Stephen Paddock é um homem que passou décadas a adquirir armas e munições e que vivia uma vida secreta, que em grande parte nunca será totalmente compreendida", disse o xerife Joseph Lombardo aos jornalistas.

Lombardo diz que lhe é difícil acreditar que o arsenal de armas, munições e explosivos recuperado pela polícia na investigação possa ter sido armazenado por Paddock completamente sozinho. "Temos de assumir que teve ajuda em alguma altura".

Além das vítimas mortais, 489 pessoas ficaram feridas quando Paddock disparou contra a multidão durante um concerto ao ar livre na noite de domingo em Las Vegas, madrugada de segunda-feira em Portugal, a partir do quarto no 32.º andar do hotel Mandalay Bay na Strip. Depois suicidou-se.

A polícia recolheu quase 50 armas de fogo de três locais onde foram feitas buscas, quase metade no quarto de hotel. As autoridades dizem que 12 das armas tinham dispositivos para dispararem como se fossem automáticas.

Os investigadores estão a tentar apurar se o facto de Paddock ter comprado mais de 30 armas em outubro de 2016 foi espoletado por algum acontecimento na vida dele. O FBI já veio dizer que não há provas que indiquem que o tiroteio foi um ato de terrorismo.

A namorada de Paddock, Marilou Danley, foi interrogada pela polícia federal na quarta-feira e informou em comunicado que não estava a par dos planos do parceiro. "Ele nunca me disse nada ou fez algo que pudesse constituir um aviso de que algo horrível como o que se passou pudesse acontecer". Danley, que regressou na terça-feira das Filipinas, onde estava a visitar familiares, é considerada uma "pessoa de interesse" pelos investigadores. O advogado da namorada de Paddock garante que ela está ativamente a colaborar com as autoridades.

Australiana de origem filipina, Danley disse ter regressado aos Estados Unidos de livre vontade. A mulher partilhava com Paddock uma casa numa comunidade de reformados em Mesquite, no Estado do Nevada, a norte de Las Vegas, antes de viajar para as Filipinas em meados de setembro.

Os detetives questionaram-na sobre a compra de armas de Paddock, uma transferência de 100 mil dólares para um banco filipino que lhe era destinada e se tinha reparado em mudanças de comportamento no parceiro antes de deixar os Estados Unidos.

Danley contou que Paddock lhe comprou o bilhete para ir visitar a família e lhe transferiu o dinheiro para que comprasse uma propriedade nas Filipinas, levando-a a ficar preocupada e a questionar se ele não estaria a pensar terminar a relação. O irmão de Paddock, Eric, disse aos jornalistas que a transferência da avultada soma de dinheiro significa que Stephen "tomava conta das pessoas que amava" e que provavelmente queria proteger a namorada quando lhe disse para ir para o estrangeiro antes do ataque.

Apurar o motivo por trás do tiroteio tem sido o maior desafio dos investigadores, já que o atirador não tinha registo criminal, nenhum histórico de perturbações mentais e não dava sinal de problemas de integração social, descontentamento político ou ideologia extremista, admitiu a polícia.

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