Atentado falhado em Orly a 36 dias das eleições francesas

Atacante estava referenciado pelas autoridades. Antes de ameaçar militares no aeroporto de Orly, alvejou a polícia numa operação de controlo e ameaçou fazer reféns num bar.

Atirou-se ao pescoço da mulher-soldado que integrava uma patrulha de três militares no aeroporto de Orly, procurando imobilizá-la ao mesmo tempo que lhe apontava uma arma à cabeça. Gritou aos outros dois soldados para "largarem as armas e porem as mãos na cabeça". Zied ben Belgacem disse que estava ali "para morrer. De qualquer forma, vai haver mortes". E houve. Foi abatido de seguida.

Eram 08.30 da manhã (hora local; 07.30 em Lisboa) e terminava assim o mais recente episódio terrorista em França, país que tem sido alvo de frequentes ataques e atentados desde janeiro de 2015. Um dos temas no centro da campanha para as eleições presidenciais, cuja primeira volta se realiza a 23 de abril. O gesto de Belgacem, de 39 anos, foi, de imediato, aproveitado pela candidata de extrema-direita, Marine Le Pen, para criticar "o laxismo de sucessivos governos" que levaram à "tempestade de violência" que se vive em França, segundo a dirigente da Frente Nacional (FN), que surge em primeiro lugar nas intenções de voto para 23 de abril. Mais tarde, falando num comício, Marine Le Pen qualificou o executivo de Bernard Cazeneuve como "ultrapassado" e "incapaz". O primeiro-ministro francês reagiu, considerando deslocado o tom das declarações da líder da FN, pedindo-lhe que faça prova de "dignidade".

O presidente François Hollande também se pronunciou sobre o ataque, afirmando não ter "qualquer relação" com o momento eleitoral no país. O ataque ocorreu dias após ter sido prorrogado esta semana o estado de emergência, que vigora desde os ataques de janeiro de 2015 em Paris.

O ataque em Orly sucede mês e meio após o verificado contra militares em serviço junto do Museu do Louvre, que não provocou vítimas além do atacante, ferido por disparos das forças de segurança, e quase um ano após o ataque de 22 de março de 2016 no aeroporto de Bruxelas, que causou 32 mortos e mais de 300 feridos.

Dois dos terminais daquele que é o segundo maior aeroporto francês, a seguir ao de Roissy-Charles de Gaulle, também em Paris, foram encerrados, só tendo reaberto ao início da tarde. Mas a normalização total do tráfego aéreo só estava prevista para hoje de manhã.

O fim de Belgacem em Orly começara a delinear-se pouco menos de uma hora antes quando o veículo em que seguia foi mandado parar numa operação policial na região norte de Paris. Então disparou sobre os agentes e conseguiu pôr-se em fuga. Aparentemente, estaria extremamente agitado ou sob influência de uma qualquer substância, tendo entrado num bar onde ameaçou os presentes "em nome de Alá" e disparou para o ar alguns tiros. Daqui, dirigiu-se diretamente para o aeroporto, onde o seu veículo foi encontrado. Pelo caminho, enviou um sms ao pai e ao irmão, em que afirmava ter feito "um disparate. Disparei sobre a polícia". Após receberem a mensagem, estes dirigiram-se a uma esquadra de polícia, tendo ficado detidos a título preventivo. Um terceiro familiar de Belgacem foi posteriormente detido.

Belgacem fora ouvido pela polícia após os ataques de 13 de novembro de 2015 em Paris e estava referenciado pela polícia como muçulmano radicalizado. Numa conferência de imprensa ao final do dia, o procurador-geral de Paris, François Molins, explicou que já fora condenado, em 2009, por tráfico de estupefacientes e furto.

Consigo, o atacante tinha uma mochila com uma embalagem de combustível, isqueiro, cigarros, um exemplar do Alcorão e 300 euros em dinheiro.

Hoje será efetuada uma autópsia para determinar se Belgacem se encontrava sob o efeito de estupefacientes.

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