Atacante da Ponte de Londres teria pedido ajuda para se desradicalizar

O atacante da Ponte de Londres terá pedido ajuda para se desradicalizar enquanto estava na prisão, mas não a obteve, segundo o seu advogado.

O advogado de Usman Khan, o homem que atacou sexta-feira várias pessoas na Ponte de Londres, e fez dois mortos e vários feridos antes de ser abatido pela polícia, garantiu ao jornal britânico Guardian que o seu cliente percebeu que o extremismo violento estava errado e aceitou que o entendimento do Islão não era o correto. Usman Khan era um dos nove membros de um grupo terrorista inspirado pela Al Qaeda, condenado em 2012 por planear colocar uma bomba na Bolsa de Valores de Londres e construir um campo de treino terrorista no Paquistão, o qual terá sido desmontado pelo MI5 e pela policia. Este fundamentalista também terá apoiado o al-Muhijaroun, um grupo extremista no qual dezenas de extremistas estavam envolvidos.

Vajahat Sharif, o advogado, garante que Khan ficou desiludido com o grupo depois de ser detido, mas após a saída da prisão os extremistas podem ter feito com que ele tivesse voltado às suas fileiras. Assegurou ainda que Khan mencionou pela primeira vez a intenção de se libertar do extremismo islâmico após a sua condenação em 2012 e depois repetidamente ao longo do tempo de prisão, reafirmando esse desejo pela última vez em 2018.

"Ele solicitou a intervenção de um desradicalizador quando estava na prisão", disse Sharif. "A única opção era a liberdade condicional e eles não sabem lidar com este tipo de criminosos. Ele pediu-me o telefone para obter assistência de um desradicalizador específico", assegurou o advogado. Usman Khan, de 28 anos, matou duas pessoas e feriu outras três antes de ser morto a tiro pela polícia durante um ataque violento na Ponte de Londres, na tarde de sexta-feira. Após a sua condenação em 2012, recebeu uma sentença de prisão com uma pena mínima de oito anos. Num recurso em 2013, a pena aumentou para 16 anos. Tinha sido libertado e alojado num albergue e tinha de se apresentar todos os dias numa esquadra de policia e usar pulseira eletrónica.

"A única opção era a liberdade condicional e eles não sabem lidar com este tipo de criminosos. Ele pediu-me o telefone para obter assistência de um desradicalizador específico"

"Na prisão ele começou a perceber que o seu pensamento islâmico não estava correto; e aceitou isso. Ele criticou a ideologia da Al Qaeda e o extremismo violento. Reconheceu que o seu entendimento islâmico era incompleto. Muitos dos extremistas escolhem diferentes sermões e é como uma câmara de eco".

Vajahat Sharif insiste na ideia de que a política para os prisioneiros terroristas precisa de mudar para aumentar os esforços para os manter afastados das ideologias que incitam à violência. "Há uma falha na política. Deve haver uma avaliação psicológica destes indivíduos antes de serem libertados em licença condicional".

O advogado disse ainda que Khan parecia ter sido reabilitado e foi um prisioneiro modelo durante o seu tempo na prisão HMP Whitemoor: "Não faço ideia do que aconteceu após a sua libertação, mas é chocante. Talvez não fosse suficientemente robusto para resistir aos radicais. Pensei que se tinha retirado". Vajahat Sharif garantiu que os pais de Kahn "são pessoas decentes, trabalhadoras e emigrantes da primeira geração do Paquistão".

Três feridos hospitalizados

Este sábado, a policia londrina confirmou que Khan iniciou o ataque dentro do Fishmongers' Hall, perto do extremo norte da ponte e que terá agido sozinho. Ainda não é conhecida a identidade das duas pessoas que morreram, nem dos outros feridos no ataque. As vítimas foram levadas para o hospital Royal London, em Whitechapel, um dos quatro principais centros de traumatologia do país. Fontes hospitalares revelaram entretanto que um dos três feridos estava em estado crítico, mas estável, e os outros dois em estado menos grave.

A polícia revelou que Khan usava um falso colete suicida quando foi baleado. Houve relatos e registos de bravura de civis que tentaram travar o homem antes de ser abatido pelas autoridades. Num comunicado na noite de sexta-feira, a polícia disse que o ataque durou cinco minutos.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que os serviços de urgência e os civis que intervieram "representam o melhor do país". "Este país nunca será intimidado, dividido ou intimidado, por este tipo de ataques e os nossos valores, os nossos valores britânicos, prevalecerão". acrescentou.

Já os partidos políticos anunciaram a suspensão as campanhas para as eleições gerais no sábado. Mas o Boris Johnson tentou ainda tirar capital político do atentado, alegando que argumentou "muito tempo" que é "um erro permitir que criminosos sérios e violentos saiam mais cedo da prisão e é muito importante abandonar este tipo de hábito e aplicar na totalidade as sentenças apropriadas para criminosos perigosos, especialmente terroristas".

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