Morte no Facebook: "Desejava que ele tivesse morrido numa rajada de cem balas", diz filha da vítima

Steve Stephens matou homem a tiro na rua e colocou vídeo do crime online. Matou-se quando os polícias o cercaram

Steve Stephens, o homem suspeito de ter colocado um vídeo no Facebook que o mostra a assassinar um idoso em Cleveland (Ohio) no domingo, matou-se ontem a tiro após ter sido localizado pela polícia do condado de Erie (Pensilvânia). Este é o desfecho de três dias em que as autoridades alargaram as buscas a todo o país para encontrar o assassino de Robert Godwin Sr., um operário metalúrgico reformado de 74 anos, pai de 10 e avó de 14.

Stephens foi encontrado em Erie depois da polícia ter recebido uma pista do público de que o seu Ford Fusion estava estacionado à porta de um McDonald"s. Após uma breve perseguição, o suspeito parou o carro. "Quando os agentes se aproximaram do veículo Stephens matou-se. Preferíamos que as coisas não tivessem acabado desta forma", disse ontem, em conferência de imprensa, Calvin Williams, o chefe da polícia de Cleveland.

Uma das filhas de Goodwin, Brenda Haymon, soube da morte de Stephens quando estava a tratar do funeral do pai. "Tudo o que posso dizer é que desejava que ele tivesse morrido numa rajada de cem balas", declarou à CNN. "Gostava de ele tivesse morrido assim em vez de se ter suicidado"

Robert Goodwin Sr. foi morto numa rua de Cleveland quando regressava a casa depois de, segundo os media norte-americanos, ter almoçado no domingo de Páscoa com um dos filhos. As autoridades não acreditam que Steven Stephens conhecesse o idoso.

No vídeo publicado em direto no Facebook, vê-se o homem a matar, a tiro, Godwin, que passava na rua, afirmando apenas: "Passei-me". Momentos antes de disparar, Stephens pediu à vítima para dizer o nome de uma mulher, dizendo que "ela é a razão pela qual isto lhe vai acontecer".

Num outro vídeo, Stephens anunciou que tinha matado mais pessoas e queria continuar a matar. "Eu matei 13 e neste momento em que estou a falar procuro um 14.º para matar", afirmou. Uma alegação da qual a polícia não ter encontrado qualquer prova.

Joy Lane, a namorada do suspeito, disse a vários media estar "em choque" com esta tragédia. "Tivemos uma relação durante anos. Lamento tudo o que aconteceu", disse a mulher à CBS News, garantindo que Stephens era "generoso com todos os que conhece. Era generoso e afetuoso comigo e os meus filhos".

A mãe de Stephens, Maggie Green, contou que o filho passou por casa dela no sábado e se despediu com uma mensagem misteriosa. "Ele disse que era a última vez que o iria ver", contou Green à CNN. Falaram brevemente ao telefone no dia seguinte e antes de o telemóvel da mãe do suspeito ter ficado sem bateria, Stephens disse-lhe que ir "matar pessoas" por estava "furioso com a namorada". Stephens, de 37 anos, trabalhava desde 2008 no Beech Brook, uma agência de saúde comportamental perto de Cleveland, exercendo nos últimos dois anos as funções de especialista vocacional para jovens.

Durante estes dias de caça ao homem, a polícia diz ter recebido mais de 400 pistas e possíveis avistamentos do suspeito. Uma recompensa de 50 mil dólares (cerca de 47 mil euros) chegou a ser oferecida em troca de informações.

"Quero que ele saiba o que nos tirou. Ele tirou-nos o nosso pai", declarou à CNN na segunda-feira à noite a filha de Godwin, Tammy. "O meu coração está partido". Já o filho da vítima, Robby Miller, disse querer que Stephens seja levado à justiça para a sua família seguir em frente: "Eu perdoo-lhe porque somos todos pecadores. Se anda por aí, se me está a ouvir, entregue-se".

A família fala de Robert Godwin Sr. como uma pessoa gentil, paciente, que gostava de pescar e que ia à missa todas as semanas.

Este homicídio é o último caso de um vídeo de um crime violento a surgir no Facebook, o que levanta questões sobre a forma como esta rede social supervisiona os seus conteúdos. A empresa de Mark Zuckerberg disse ontem que vai rever a forma como monitoriza conteúdos violentos e outros materiais censuráveis. E revelou que o vídeo da morte de Robert Godwin Sr. esteve visível no Facebook durante duas horas antes de ser denunciado.

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