As revoluções do Syriza, do 5 Estrelas e do Podemos

Nos últimos anos, a entrada no Parlamento de partidos antissistema trouxeram mudanças drásticas à política na Grécia, Itália e Espanha.

Ja ameaçara nas eleições de maio 2012, ao tornar-se na segunda força política grega e eleger 52 deputados, mas, foi no novo escrutínio do mês seguinte que o Syriza de Alexis Tsipras confirmou que não era apenas um fenómeno passageiro e viera para ficar. A entrada de 71 eleitos do partido da esquerda radical veio revolucionar o Parlamento helénico, abrindo caminho para a vitória três anos depois da formação que prometia rasgar o memorando de entendimento com os credores, mas acabou a pedir um terceiro resgate.

A chegada do Syriza coincidiu com a queda do PASOK. Culpado em grande parte pela crise financeira, o partido socialista grego ainda elegeu 33 deputados nas segundas eleições de 2012 (com 12% dos votos), mas três anos depois confirmava o descalabro, conseguindo apenas 13 eleitos e menos de 5%. A Nova Democracia, partido da direita tradicional, resistiu melhor ao avanço do Syriza, mantendo-se como segundo mais votado em 2015. Neste momento, e apesar de ter garantido o acesso a uma nova tranche da assistência financeira - 8,5 mil milhões de euros -, o Syriza surge quase 20 pontos atrás da Nova Democracia nas sondagens. Mas as eleições são só em 2019.

Mudanças no Parlamento italiano não são novidade, mas a mais recente revolução deu-se com a entrada de 109 deputados do Movimento 5 Estrelas nas eleições de 2013. Fundado quatro anos antes pelo comediante Beppe Grillo, o movimento destaca-se pela mensagem populista anti-Europa, anti-globalização e anti-sistema. Composto por muitos jovens, o sucesso eleitoral do 5 Estrelas confirmou-se nas municipais de 2016, com a sua candidata, Virginia Raggi, a vencer em Roma. Mas as coisas não têm corrido bem, sendo a autarca atualmente alvo de uma investigação por abuso de poder. Com legislativas previstas para o próximo ano, o 5 Estrelas de Beppe Grillo surge neste momento à frente do Partido Democrático do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi em várias sondagens.

Nascido do movimento dos Indignados, o Podemos veio revolucionar o Parlamento espanhol em 2015. Mas o partido da esquerda radical, liderado por Pablo Iglesias, não foi o único. A entrada dos centristas do Ciudadanos, de Albert Rivera, acabou com o bipartidarismo e obrigou a repetir as eleições em junho de 2016 por nenhuma formação ter conseguido apoios para formar governo. Os resultados não mudaram muito e a acreditar nas sondagens, a política espanhola vai continuar a jogar-se a quatro.

França foi agora o último exemplo da implosão dos partidos tradicionais, com o recém criado La République en Marche a ocupar o Eliseu e dominar o Parlamento. Resta saber se o futuro dita a pasokisação do PS ou se os socialistas franceses conseguem recuperar.

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