Rei saudita muda governo três meses depois do homicídio de Khashoggi

Salman bin Abdelaziz substituiu ministro dos Negócios Estrangeiros e nomeou vários dirigentes próximos do príncipe herdeiro, acusado de estar por trás do plano para assassinar o jornalista.

O rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdelaziz, anunciou hoje uma remodelação governamental, tendo substituído, entre outros, o ministro dos Negócios Estrangeiros, três meses após a crise desencadeada com o assassínio do jornalista Jamal Khashoggi.

O novo chefe da diplomacia de Riade é Ibrahim al Asaf, que até 2016 ocupou a pasta das Finanças, e posteriormente serviu como ministro de Estado.

Ibrahim al Asaf substitui Adel al Yubeir, que passa a ministro de Estado para os Negócios Estrangeiros, cargo equivalente ao de vice-ministro.

O novo ministro dos Negócios Estrangeiros ocupa lugares na administração da companhia petrolífera estatal Saudi Aramco e no fundo soberano do reino, entidades lideradas pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, suspeito de envolvimento na morte do jornalista Jamal Khashoggi, a 02 de outubro, no consulado saudita em Istambul.

Salman bin Abdelaziz ordenou também a reformulação dos dois conselhos supremos que supervisionam os assuntos relacionados com a economia e a segurança e são chefiados também pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, cujos poderes, incluindo os cargos de vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa, permaneceram intactos.

As mudanças parecem consolidar o poder político do príncipe herdeiro, uma vez que foram nomeados vários conselheiros e membros da família real que lhe são próximos.

Foram ainda substituídos os ministros da Educação e da Comunicação Social, cargos que serão ocupados respetivamente por Hamad al-Sheikh e por Turki Shabbaneh, um apresentador da televisão saudita.

O príncipe Abdullah bin Bandar, filho do príncipe Bandar al Saud, antigo embaixador em Washington, foi nomeado chefe da Guarda Nacional, cuja principal missão é garantir a segurança da família real saudita.

Outra das mudanças importantes envolve outro colaborador próximo do príncipe herdeiro, Turki al-Sheikh, que foi nomeado presidente da Autoridade Geral para o Entretenimento, organismo criado recentemente para ajudar a organizar e promover concertos e outros eventos culturais, até há pouco tempo proibidos no país.

Com esta nomeação, al-Sheikh deixa de tutelar a agência de cibersegurança e programação, que era liderada por Saud al-Qahtani, próximo do príncipe herdeiro, que foi despedido por ter ajudado a elaborar o plano que levou à morte de Jamal Khashoggi na Turquia.

O jornalista saudita, crítico do regime, foi morto e desmembrado por uma equipa de agentes sauditas no consulado do país em Istambul, na Turquia.

A Arábia Saudita nega que Mohammed bin Salman soubesse do plano, mas relatórios dos serviços de inteligência norte-americanos asseguram que uma operação desta natureza não poderia ter acontecido sem o seu conhecimento.

O assassínio do jornalista afetou gravemente a imagem internacional do príncipe como um líder comprometido com as mudanças que os aliados da Arábia Saudita no Ocidente esperavam.

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