"Mandem-na de volta": Os cânticos dos apoiantes de Trump

Presidente dos EUA voltou a atacar congressista Ilhan Omar, de origem somali, com os seguidores a responderem "mandem-na de volta, mandem-na de volta".

Um comício de Donald Trump voltou na quarta-feira a dirigir ataques racistas contra a democrata Ilhan Omar, nascida na Somália, ficando depois a ouvir os seus apoiantes a gritarem "mandem-na de volta, mandem-na de volta".

Intervindo em Greensville (Carolina do Norte), num palanque que exibia o símbolo do Presidente dos EUA, Donald Trump deixou claro que a campanha para a sua reeleição vai repetir a estratégia de divisão racial e anti-imigração adotada há quatro anos, observaram jornalistas como Stephen Collinson, da CNN.

Com uma campanha "já encharcada de ódio" para as eleições de 2020, aqueles gritos dos seguidores do líder republicano "exemplificaram a política tribal e o nacionalismo branco" com que Trump "mostra claramente estar" a conduzir a campanha de reeleição - e "qualquer que seja o seu impacto na frágil harmonia social da América", escreveu aquele repórter acreditado junto da Casa Branca.

As quatro congressistas democratas com origens fora dos EUA que o próprio Donald Trump instou há dias a regressarem aos seus países de origem - e que são identificadas como "O Esquadrão", pela forma combativa como se têm distinguido durante este seu primeiro mandato - são Alexandria Ocasio-Cortez , Ayanna Pressley e Rashida Tlaib (todas nascidas nos EUA), além de Ilhan Omar.

O Washington Post, em editorial intitulado ""'O Esquadrão" odeia as políticas de Trump. Isso não significa que odeiem a América", escreveu esta quinta-feira ser "quase surreal ouvir republicanos chamar comunistas a outros congressistas - sem provas - depois de Trump ter passado meses a elogiar um verdadeiro estalinista como o ditador norte-coreano Kim Jong-Un".

"Como os republicanos do Congresso que atacaram duramente o presidente Barack Obama durante oito anos deveriam reconhecer, confundir a falta de admiração por um determinado presidente, a sua administração, as suas políticas ou o seu partido com desrespeito pelos próprios Estados Unidos, viola os princípios fundadores da nação", continuou o jornal norte-americano, concluindo que "só há uma reação aceitável aos tweets de Trump: condenação, sem qualquer 'mas' associado".

Na CNN, o o historiador Timothy Naftali lembrou que os EUA já tiveram "presidentes racistas". Contudo, "não expressaram o seu racismo enquanto chefes do Estado, da forma como Donald Trump, através de suas ações [...] tem feito".

Na campanha eleitoral de 2016, os comícios de Donald Trump ficaram marcados pela demonização dos imigrantes latinos e pelos recorrentes gritos dos apoiantes contra a rival democrata Hillary Clinton: "Prendam-na, prendam-na."

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