Fillon faltou à palavra e porta-voz demitiu-se

O candidato às primárias que declarou o seu apoio a Fillon disse que o político quebrou a promessa de se demitir caso fosse acusado

O ex-ministro francês Bruno Le Maire demitiu-se hoje da campanha de François Fillon por discordar da decisão do candidato presidencial de se manter na corrida apesar de estar prestes a ser formalmente acusado.

"Acredito no respeito pela palavra dada, é indispensável à credibilidade na política", afirmou Le Maire num comunicado, referindo-se à promessa feita por Fillon no início da campanha de que se demitiria se fosse formalmente acusado.

François Fillon anunciou hoje que foi convocado para uma audição judicial a 15 de março, na qual, segundo os seus advogados, vai ser formalmente acusado no caso que envolve a alegada criação de empregos fictícios para a mulher e dois filhos.

Fonte ligada ao processo disse horas depois à agência France-Presse que a mulher do candidato, Penelope Fillon, também vai ser formalmente acusada.

Contrariamente ao que prometeu em janeiro, o candidato do partido Os Republicanos (direita) disse hoje que recusa ceder ao que considera uma tentativa de "assassínio político" e que se mantém na corrida às presidenciais de 23 de abril e 7 de maio.

Le Maire, 47 anos, antigo ministro da Agricultura, concorreu às primárias da direita, em novembro. Derrotado, declarou o seu apoio a Fillon e integrou a campanha como porta-voz para as questões diplomáticas.

Fillon, até há cerca de um mês dado nas sondagens como favorito para derrotar a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, é suspeito de ter criado empregos fictícios para a mulher e dois filhos que lhes permitiram receber cerca de um milhão de euros, ao longo de uma década, de fundos parlamentares.

O candidato nega as acusações, assegurando que os empregos eram reais e admitindo apenas como "erro" ter querido rodear-se de pessoas de confiança.

Entre as possíveis acusações figuram a apropriação indevida de fundos públicos, abuso de fundos públicos ou tráfico de influências.

Na conferência de imprensa que deu hoje, Fillon qualificou a investigação judicial de tentativa de "assassínio político" e acusou o presidente, François Hollande, de encorajar a ação da justiça para o desacreditar.

O Governo francês já reagiu à acusação: "O trabalho em curso dos magistrados não deve ser comentado. Os juízes de instrução dirigem as suas investigações com total independência, de maneira colegial, respeitando o direito à defesa e a presunção de inocência", lê-se num comunicado do Ministério da Justiça.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG