Ao quarto dia de apagão, venezuelanos desesperam para usar o telemóvel

Com o telemóvel na mão, centenas de pessoas saíram domingo às ruas de Caracas à procura de um sítio com sinal para conseguirem comunicar com familiares.

Na capital, via-se gente a caminhar ou meter-se no carro com o telemóvel na mão, à procura de rede. O objetivo, explicou um comerciante à agência Lusa, era também o de tentar usar as redes sociais para ter novidades sobre 'apagão' que desde a última quinta-feira mantém a Venezuela praticamente às escuras.

"Tive que ir até La Castellana [leste da capital], onde está a torre da operadora Digitel. Aí havia algum sinal, tentei falar com familiares que estão em Higuerote, mas não consegui. Quando marcamos o número, o telefone fica 'mudo' durante uns minutos e depois cai a chamada ou de imediato dá um sinal estranho de ocupado", descreveu um lusodescendente.

Manoel de Freitas, comerciante, está "preocupado" com a situação, principalmente porque "nos últimos tempos se tem registado muita criminalidade em Higuerote, muitos casos de roubos a casas".

Margarida Andrade, também ela lusodescendente, não conseguiu falar com a família que vive em Vargas (norte), mas conseguiu saber como estavam através da rede social Twitter.

"Quando chegou a luz ao aeroporto, eles ficaram também com sinal e aí conseguimos trocar algumas mensagens, sei que o meu pai e mãe estão bem. Depois ficaram novamente sem sinal. Pensava ir até lá mas há problemas com o transporte, terei que esperar", disse.

Através do Twitter, os utilizadores estão a trocar mensagens indicando os sítios onde existe sinal das operadoras telefónicas que funcionam no país. Pelas 19:00 horas locais (23:00 horas em Lisboa) era difícil circular pela rotunda de La Castellana, porque dezenas de motoristas tinham parado as suas viaturas tentando usar o sinal da Digitel.

Por outro lado, outros utilizadores optaram por ir até Los Palos Grandes, junto da Torre Movistar, para aproveitar o sinal daquela operadora. Em El Paraíso (centro) na Avenida Libertador de Caracas e em Chacao (leste), alguns estabelecimentos comerciais, que funcionavam com gerador elétrico, abriram os sinais de 'wi-fi' para que a população pudesse ligar-se às redes sociais.

Aulas suspensas

As aulas e as atividades laborais estão suspensas novamente na segunda-feira na Venezuela, por ordem do Governo de Nicolás Maduro. Trata-se da segunda vez que as aulas e o trabalho estão suspensos devido à falta de eletricidade no país, e o anúncio foi feito hoje pelo ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, no canal de televisão estatal VTV.

Na sexta-feira, a jornada de trabalho e as aulas estiveram suspensas devido à falha elétrica que atingiu a principal hidroelétrica do país e que o Governo de Nicolás Maduro atribui a uma sabotagem e a um ataque cibernético.

A Venezuela está às escuras desde a última quinta-feira, na sequência de uma avaria que afetou ainda dois sistemas secundários e a linha central de transmissão.

Em Caracas, a eletricidade está a chegar a vários bairros, mas de forma intermitente. O apagão afetou as comunicações fixas e móveis, os terminais de pagamentos e a Internet.

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