Alterações climáticas podem tornar o Golfo Pérsico inabitável

Verões tão quentes e húmidos que são insuportáveis para os humanos podem chegar ainda este século

A região do Golfo Pérsico pode tornar-se inabitável durante o verão antes do final do século, alertou esta segunda-feira um novo relatório publicado na revista Nature. Os investigadores afirmam que, devido às alterações climáticas, pode não faltar muito para a região desde o Dubai ao Irão ter verões tão quentes e húmidos que se tornem insuportáveis para os seres humanos.

A parte mais surpreendente do novo estudo científico, para os investigadores que o desenvolveram, foi a rapidez com que as mudanças poderão ocorrer. AInda neste século, algumas das cidades mais visitadas do mundo, como o Dubai, Meca ou Bandar Abbas, podem deixar de ser habitáveis. "A ameaça para a saúde humana pode ser muito mais grave do que se pensava", disse o físico Christoph Schaer, que comentava as conclusões do estudo.

O estudo científico sublinha que a causa desta mudança no clima da região se deve à ação humana, e que esta só pode ser evitada se forem tomadas medidas rápidas e eficientes para reduzir as emissões de gases de efeito-estufa. Ao ritmo de aquecimento que se regista atualmente, pode ser ainda antes do fim do século que algumas zonas do Golfo Pérsico vão começar a registar temperaturas tão altas e tanta humidade que o corpo humano deixa de conseguir expelir o calor em excesso.

"Os nossos resultados demonstram que existe uma região onde as alterações climáticas, na ausência de ação significativa, vão provavelmente causar um efeito grave na habitabilidade humana no futuro", lê-se no estudo, citado pelo jornal Washington Post.

Os investigadores chamaram a atenção para a importância de agir imediatamente para poder evitar estas alterações, que vão afetar algumas das cidades mais povoadas da região, reduzindo as emissões de gases de efeito-estufa. Será ainda necessário fazer mudanças significativas na infra-estrutura da região para lidar com as temperaturas muito altas. "Poderá ser possível adaptar as atividades interiores nos países com riqueza do petróleo da região", lê-se no estudo, "mas mesmo as atividades exteriores mais básicas vão sofrer impactos severos".

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