Alemanha sem sinal de seis mil crianças refugiadas

Ministério admite que os números podem estar aquém da realidade, dizendo que pelo menos 550 eram menores de 14 anos

O número de crianças refugiadas representa já mais de um terço do total de migrantes e muitas estão a viajar pela Europa sozinhas, segundo dados da UNICEF. Uma situação que está a tornar-se uma "enorme oportunidade de negócios" para os traficantes de seres humanos. Só a Alemanha diz que quase seis mil crianças refugiadas foram dadas como desaparecidas no ano passado. Em janeiro, a União Europeia estimava em dez mil o número de menores dos quais não havia registo.

O Ministério do Interior alemão reconhece que a estimativa feita por Berlim pode ficar aquém da realidade, lembrando que apesar de a situação estar a ser levada "muito a sério" pelas autoridades é difícil saber o número exato de casos por causa de falta de dados. Berlim diz que a maioria das crianças que estão desaparecidas vieram da Síria, Afeganistão, Eritreia, Marrocos e Argélia. Cerca de 550 tinham menos de 14 anos.

"Elas são invisíveis, essa é a razão pela qual são vulneráveis. Se as crianças não forem contadas, não contam", disse ao jornal The Guardian a porta-voz da UNICEF para a crise dos refugiados, Sarah Crowe. "Os diferentes países precisam de saber quantas estão lá dentro e cuidar delas." Segundo a organização para a infância das Nações Unidas, estima-se que atualmente possa haver cerca de duas mil crianças que não estão acompanhadas por um adulto presas na Grécia.

Em 2015, 95 mil crianças que procuraram asilo na Europa não estavam acompanhadas de um adulto, indicou Crowe, citada pela Reuters, lembrando que o número está claramente subestimado porque muitos menores evitam registar-se com as autoridades por recearem ser detidos.

"Sabemos que milhares e milhares de crianças estão desaparecidas e o mais horrível de tudo é que não temos ideia onde estão ou o que está a acontecer com elas", disse a vice-diretora da UNICEF, Lily Caprani, numa conferência de imprensa em Londres. "É essa ausência total de informação que nos devia aterrorizar a todos", acrescentou.

Muitas das crianças que estão desaparecidas podem ter sido reunidas com a família, não o tendo comunicado às autoridades, mas outras podem ter caído nas mãos dos traficantes e milhares estão em risco.

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