Alemanha com desemprego mais baixo em 25 anos

Sondagem revela que grande coligação CDU/CSU-SPD liderada por Angela Merkel perde maioria absoluta pela primeira vez

A taxa de desemprego na Alemanha caiu para o seu nível mais baixo desde a reunificação do país (a 3 de outubro de 1990). Segundo dados ontem divulgados pela Agência Federal do Trabalho a taxa de desemprego foi, em maio, de 6,1%: o número de desempregados na maior economia da União Europeia diminuiu em 11 mil para 2,695 milhões de pessoas. Os números são mais positivos do que aqueles que antecipavam os economistas, admitindo que a descida de desempregados este mês fosse apenas da ordem das cinco mil pessoas. Aumentam, assim, as expectativas de que o consumo privado aumente no país e ficam fragilizadas as teorias que dizem que o aumento da imigração e a introdução do salário mínimo iriam fazer aumentar o desemprego na Alemanha.

"O impulso económico está perfeitamente cronometrado e deverá atenuar as preocupações em relação ao mercado de trabalho causadas pela imigração e pelo salário mínimo", disse Joerg Zeuner, economista do banco KfW, ontem citado pela agência Reuters. A chegada de um milhão de migrantes no ano passado a território alemão suscitou receios em relação ao desemprego e à forma como poderiam ser integrados no mercado laboral. Também a introdução de um salário mínimo nacional de 8,50 euros por hora levou os críticos da medida a anteciparem que isso iria desencorajar os empregadores a contratarem mais pessoas.

A introdução de um salário mínimo nacional na Alemanha foi uma das promessas-bandeira do SPD durante a campanha para as legislativas de setembro de 2013. Quando SPD e CDU/CSU negociaram a grande coligação, esta foi uma das cedências que Angela Merkel teve que fazer aos sociais-democratas: criar um salário mínimo, ideia de que era uma grande crítica. Em abril de 2013, ao jornal Bild Zeitung, a chanceler conservadora afirmara que o salário mínimo nacional era o responsável pelo desemprego. Segundo declarou na entrevista, aquele era a razão que explica que "numerosos países da Europa tenham uma taxa de desemprego bem mais elevada [do que a da Alemanha], uma vez que os salários e os rendimentos estão relacionados". Estava-se no auge da crise do euro e havia vários países sob resgate. Portugal era um deles.

Mas se os números do desemprego apresentados são positivos para a Alemanha, tal não se reflete ainda na opinião que os cidadãos têm sobre a grande coligação entre a CDU/CSU e o SPD. Uma sondagem Insa para o jornal Bild mostrou ontem que, pela primeira vez, os partidos que compõem a aliança que está no governo perdem a maioria absoluta: juntos só reúnem 49% das intenções de voto (CDU/CSU têm 30%, o SPD 19%, os Verdes 13%, a AfD 15% e a Esquerda conta com 9,5%). As próximas legislativas são no final de 2017.

Merkel tem visto a popularidade do seu governo cair por causa da crise dos migrantes e dos refugiados. A chanceler defendeu uma política de portas abertas que foi criticada pelos seus próprios parceiros europeus e aliados de coligação da CSU. Quem beneficiou disso, entretanto, foi a formação política AfD, que apesar de ter sido criada inicialmente por causa da crise do euro virou-se agora para a extrema-direita. A sua líder, Frauke Petry, chegou a defender que a polícia tivesse autorização para disparar a arma de serviço contra os migrantes ilegais que tentassem entrar na Alemanha. Este tipo de retórica parece ter agradado a uma parte da população, explicando a subida do partido nas intenções de voto. Falta ver agora se a tendência se mantém depois dos números ontem divulgados sobre o desemprego no país.

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