"Ainda não é o momento de acabar com o confinamento", anunciou Boris Johnson

Numa breve comunicação ao país, o primeiro-ministro britânico anunciou as medidas que espera poder tomar nos próximos meses para aliviar as restrições impostas pela pandemia.

O Reino Unido é neste momento o país mais afetado pela pandemia de covid-19 e o segundo em número de mortos, com 219,183 casos confirmados, 31,855 óbitos e 3,923 novos casos, hoje, dia 10 de maio.

Números que não permitem ainda o alívio das medidas de contenção da epidemia, tomadas mais tarde do que todos os outros países europeus, uma vez que o governo e as autoridades de saúde britânicas começaram por defender a teoria da imunidade de grupo.

Só quando um estudo do Serviço Nacional de Saúde, em meados de março, estimou que as hospitalizações poderiam chegar aos sete milhões, as mortes ao meio milhão e o resto da Europa estava já fechada em quarentena, como Itália e Espanha a enfrentarem verdadeiras tragédias, é que Boris Johnson, ele próprio infetado e hospitalizado devido a infeção por covid-19, mudou de estratégia.

Hoje, na sua comunicação ao país disse que ainda não era tempo de acabar com o confinamento.

Depois de agradecer o esforço da população, nestes últimos dois meses privados de liberdade, o comportamento exemplar e o respeito pelas restrições impostas, "que permitiram salvar vidas e proteger o serviço nacional de saúde", Boris Johnson anunciou em traços largos a estratégia de desconfinamento que apresentará no parlamento britânico e que terá início em junho, na melhor das hipóteses, com a abertura de escolas, infantários e lojas. Até lá, todos os que possam ficar em teletrabalho, devem fazê-lo e os que tenham que sair devem evitar os transportes públicos. "Usem o carro, vão a pé ou de bicicleta, se for possível",

Em julho, se as condições estiverem reunidas, hotelaria, restauração e serviços públicos serão o terceiro passo do desconfinamento, anunciou Boris Johnson, que deixou claro que o alívio das restrições impostas dependerá a todo o momento da evolução de dois indicadores essenciais: o RT (risco de transmissiblidade) e o número de novos casos.

À semelhança de António Costa, o primeiro-ministro britânico afirmou que não hesitaria em voltar atrás, se a situação epidemiológica a isso aconselhasse.

"Proteger as pessoas é a nossa prioridade", disse Boris Johnson, que insistiu na ideia de "ficar alerta, controlar o vírus e salvar vidas", o novo slogan do governo britânico no combate à pandemia. Para o concretizar, o primeiro ministro anunciou a monitorização constante dos dados epidemiológicos, o reforço da testagem e o controlo da circulação, que inclui a imposição de 14 dias de quarentena para todos os que entrem no Reino Unido por ar.

Boris Johnson terminou a sua intervenção dizendo que acredita que o Reino Unido sairá reforçado desta crise. "Seremos um país melhor, mais generoso e mais solidário".

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