Agressão policial a um produtor de música negro está a chocar França

Produtor musical estava a entrar sem máscara no seu estúdio de música antes de ser agredido pela polícia

As autoridades francesas abriram uma investigação e suspenderam três polícias que foram filmados a espancar um produtor de música negro no centro de Paris.

As imagens, publicadas pelo site de notícias Loopsider, estão a chocar França e geraram uma nova onda de críticas sobre a conduta das forças de segurança e a violência racial.

A vítima, identificada apenas pelo seu primeiro nome, Michel, estava a voltar para o seu estúdio de música, em Paris, no sábado à noite, quando a polícia descobriu que ele não estava a usar máscara. Três policiais, dois uniformizados e um à paisana, terão entado saído do carro e empurrado Michel pela porta da frente da sua propriedade.

"Antes de ouvir qualquer palavra, senti uma mão a empurrar-me ou puxar-me, nem percebi bem. Não sabia o que estava a acontecer. Comecei a gritar por ajuda", disse Michel, o diretor da Black Gold Corp Studios, ao site de notícias Loopsider.

O filme mostra os polícias a socar e pontapear Michel, além de o agredirem na cabeça e no corpo com cassetetes. Além das agressões físicas, Michel, disse ter sido submetido a insultos racistas.

"Eu ouvi-os dizer "sujo negro". Eu ouvi várias vezes, enquanto me batiam com os seus cassetetes uma e outra vez ", disse.

O incidente ocorreu após uma série de investigações sobre a violência policial contra cidadãos negros e árabes e depois de uma onda de indignação sobre a nova lei que restringe o direito de a imprensa publicar imagens dos rostos da polícia.

O próprio produtor musical foi inicialmente preso por violência e desobediência à polícia. Mas os promotores descartaram a investigação e, em vez disso, abriram uma investigação contra os próprios polícias por cometerem atos de violência enquanto exerciam uma posição de autoridade.

"Estou a pedir ao chefe da polícia (de Paris) que suspenda temporariamente os policiais em questão", escreveu o ministro do Interior, Gerald Darmanin, no Twitter.

O advogado da vítima, Hafida El Ali, disse à AFP que o seu cliente foi detido durante 48 horas com base em "mentiras da polícia que o agrediu de forma ultrajante".

O promotor de Paris, Remy Heitz, afirmou à AFP que pediu à Inspetoria Geral da Polícia Nacional da França (IGPN) para esclarecer o que aconteceu o mais rápido possível. "É um caso muito importante e tenho-o acompanhado pessoalmente", disse ele.

O Loopsider, que expôs vários episódios de violência policial nos últimos meses, disse que as imagens "tinham de ser vistas para ser compreendida toda a extensão do problema" e revelou que Michel havia sido inicialmente barrado por não usar máscara.

"Fui atacado por pessoas que me deveriam proteger. Não fiz nada para merecer isso. Só quero que essas três pessoas sejam punidas de acordo com a lei", disse Michel aos jornalistas esta quinta-feira ao chegar ao IGPN com o seu advogado para registar uma queixa.

A presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo, disse que ficou "profundamente chocada por um ato intolerável".

Na noite de segunda-feira, a polícia francesa também foi alvo de severas críticas depois de ter usado gás lacrimogéneo para remover migrantes de um campo montado no centro de Paris.

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