AfD: protesto da esquerda contra congresso dos "nazis"

Partido de Frauke Petry está reunido até hoje em Estugarda para elaborar um programa oficial que deve incluir a proibição de construir minaretes e de usar o véu islâmico.

De um lado, pneus a arder e pedras. Do outro, gás lacrimogéneo e canhões de água. A batalha entre mil manifestantes de esquerda e outros tantos polícias em Estugarda começou por volta das 6:00 e durou quatro horas. O objetivo do protesto era impedir a entrada dos participantes que chegavam para o Congresso da Alternativa para a Alemanha (AfD), uma reunião na qual a formação nascida em 2013 como anti-euro procura confirmar a mudança de rumo, assumindo-se como anti-islão.

Feitas as contas: 400 manifestantes foram detidos, mas não se registaram feridos, ficando os danos físicos reduzidos a alguma irritação nos olhos provocada pelo gás lacrimogéneo. O congresso, esse começou com uma hora de atraso.

Cá fora, os manifestantes continuaram a desfilar com cartazes com slogans como "A vossa campanha de ódio irrita-nos" ou" FCK AfD", enquanto gritavam: "Refugiados ficam, nazis fora!" Depois de terem temporariamente bloqueado o trânsito na autoestrada A8, junto ao aeroporto de Estugarda, para tentar impedir os convidados do congresso que vinham de avião de chegarem ao seu destino, os ativistas de esquerda incendiaram pneus na estrada de acesso ao local da reunião.

Anti-islão

Fundado há três anos como partido anti-euro, o AfD procura neste congresso aprovar um manifesto anti-islão. A confirmação de uma mudança de rumo que coincidiu com a chegada à sua liderança de Frauke Petry e com o ambiente de tensão social provocado pela chegada maciça de refugiados à Alemanha, sobretudo sírios. Em 2015, as autoridades alemãs registaram a chegada de mais de um milhão de migrantes, uns a fugir da guerra outros apenas à procura de uma vida melhor.

A chanceler Angela Merkel, da cristã-democrata CDU e num governo de coligação com os sociais democratas do SPD, tem-se destacado na defesa de uma política de braços abertos em relação aos refugiados. Uma postura que lhe valeu duras críticas - inclusive da CSU, a irmã bávara da CDU - e uma quebra na popularidade antes das eleições do próximo ano. Com os alemães divididos quanto à atitude a ter perante a vaga de migrantes, a AfD tem sabido jogar com o medo e continua a subir nas sondagens. Com excelentes resultados nas eleições do mês passado em três estados (na Saxónia-Anhalt chegou mesmo perto dos 25% dos votos), a última sondagem do instituto Forsa para a revista Der Spiegel dá ao partido de Frauke Petry 10% das intenções de voto, atrás apenas da CDU, do SPD e dos Verdes. Mas à frente da esquerda do Die Linke ou dos liberais do FDP.

Contra o véu e os minaretes

Os mais de 2000 membros da AfD inscritos no congresso de Estugarda têm como tarefa elaborar o programa oficial do partido. O primeiro desde a sua criação. Entre as propostas que vão a votos surge uma que defende a proibição da construção de minaretes, descritos como "símbolos do domínio islâmico"; tornar ilegal os apelos do muezzin (o homem que chama os fiéis muçulmanos para as orações na mesquita) bem como o uso do véu islâmico, esse considerado "um símbolo político-religioso da submissão das mulheres muçulmanas aos homens".

Confrontada com divisões internas entre a ala mais moderada e a mais radical, a AfD deverá ainda pronunciar-se sobre a deportação de estrangeiros condenados por um crime na Alemanha, sobre a reintrodução do serviço militar obrigatório ou sobre o fim das quotas de género nas empresas.

Encorajada pelos bons resultados eleitorais, a AfD parece assumir cada vez mais a etiqueta de direita populista. De tal forma que os seus dois eurodeputados (em 2014 elegeu sete, mas cinco entretanto saíram da formação), expulsos do grupo dos Conservadores e Reformistas do Parlamento Europeu, se deverão juntar à Europa das Nações e das Liberdades, que inclui a francesa Frente Nacional, de Marine Le Pen, a Liga Norte, de Itália, ou o Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ).

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