Acusação de que Renamo raptou português é propaganda

O ministro do Interior [de Moçambique] quando lá chega [em Portugal], ao invés de pedir desculpas, foi meter água", disse Afonso Dhlakama

O líder da Renamo, principal partido de oposição em Moçambique, Afonso Dhlakama, considerou propaganda do Governo a acusação de que elementos do seu partido raptaram o cidadão português desaparecido em meados do ano passado no centro do país.

"Nós já sabíamos dessa propaganda [de que a Renamo raptou o cidadão português]. O ministro do Interior [de Moçambique] quando lá chega [em Portugal], ao invés de pedir desculpas, foi meter água, como propaganda", declarou Afonso Dhlakama, em entrevista telefónica ao semanário Canal de Moçambique, publicada hoje.

O líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), que falava a partir do seu esconderijo no centro do país, afirmou que o braço armado do seu partido não faz raptos, assinalando que "os portugueses estão bem informados sobre aquilo que aconteceu aos seus concidadãos".

Citando relatos de populares do distrito de Marínguè, província de Sofala, centro de Moçambique, Afonso Dhlakama afirmou que a vítima terá sido raptada por membros das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e da Força de Intervenção Rápida (FIR), numa estação de serviço em Nhamapadza.

"Segundo os relatos, aquele cidadão chegou ali às bombas [de combustível], parece que para abastecer o carro, chegaram as forças da FADM e FIR e pegaram-no, como se fosse brincadeira. Todas as pessoas assistiram", frisou Afonso Dhlakama.

Os familiares da vítima, continuou, já sabem que a Renamo não está envolvida no rapto e a imputação do caso ao braço armado do movimento "é propaganda barata".

Em declarações à Lusa este mês, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, disse que as autoridades portuguesas estão "muito preocupadas" com a falta de informação sobre a localização do cidadão português.

"As autoridades portuguesas - o Presidente da República e o Governo - estão muito preocupadas, como é seu dever, em relação às condições do desaparecimento de um nosso concidadão numa região de Moçambique, sobretudo ao facto de, vários meses depois de se ter verificado, não termos nenhum elemento concreto que os permita conhecer a sorte, o destino, a localização desse concidadão", afirmou Augusto Santos Silva, à margem da inauguração da chancelaria do principado do Mónaco.

Anteriormente, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português havia informado que o ministro do Interior moçambicano "deu conta", em Lisboa, ao Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, e ao primeiro-ministro, António Costa, "de que prosseguem as investigações das autoridades moçambicanas tendentes a apurar a situação do cidadão português.

O empresário português está desaparecido há oito meses, depois de ter sido levado por desconhecidos para parte incerta, no distrito de Gorongosa, uma área com forte presença das Forças de Defesa e Segurança, envolvidas em confrontos com o braço armado da Renamo.

No início deste mês, o presidente da Renamo anunciou a prorrogação da trégua - em vigor desde dezembro - nos confrontos com as Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas por mais 60 dias, manifestando confiança num acordo definitivo.

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