Aborto gratuito para grávidas infetadas com Zika

Organização Não Governamental promete enviar pílulas abortivas a mulheres que receiam que o seu feto possa ter sido afetado

Uma organização não-governamental (ONG) holandesa disse hoje que disponibiliza gratuitamente comprimidos para provocar um aborto às grávidas infetadas com o vírus Zika, visando evitar uma corrida a interrupções da gravidez perigosas.

"O vírus Zika está a espalhar-se na maioria dos países onde o aborto é muito limitado", referiu a fundadora e diretora da Women on Web, Rebecca Gomperts, à agência France Presse.

"Estamos muito preocupados com o facto de isso levar a um aumento dos abortos perigosos. Preocupamo-nos com a saúde e a vida das mulheres e queremos ter a certeza de que as mulheres têm acesso a um aborto seguro", adiantou.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse na segunda-feira que existe a forte suspeita de que o aumento de graves defeitos congénitos na América do Sul seja causado pelo vírus Zika, transmitido por um mosquito, tendo decidido que os casos de microcefalia - distúrbio de desenvolvimento fetal que resulta num perímetro do crânio infantil mais baixo do que o normal -- e de desordens neurológicas na referida região constituem uma emergência sanitária de alcance internacional.

Gomperts disse que as mulheres que receiam que o seu feto possa ter sido afetado pelo vírus podem contactar a ONG através da Internet para uma consulta grátis 'on line'.

Se não existirem contraindicações, ser-lhes-á enviado um pacote com os comprimidos para abortar e as instruções. O aborto pode ser realizado até à 12.ª semana de gravidez.

O Brasil, o país mais afetado com 4.000 casos suspeitos de microcefalia, é o maior país católico em termos de população e têm fortes restrições ao aborto.

As autoridades brasileiras também intercetam pacotes com comprimidos para abortar e a ONG holandesa apelou ao governo para suspender essa prática "pelo menos durante a epidemia do Zika".

A Women on Web foi criada em 2005 para apoiar o acesso ao aborto seguro em todo o mundo e responde atualmente a cerca de 10.000 correios eletrónicos por mês de mulheres que procuram conselhos sobre várias questões.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG