A vingança da Miss Universo que Trump chamou de "Miss Piggy"

A venezuelana Alicia Machado, que quase perdeu a coroa de Miss Universo por ter engordado, vai votar em Clinton

"Uma das piores coisas que ele disse foi sobre uma mulher num concurso de beleza (...) e chamou a esta mulher 'Miss Piggy' e depois chamou-lhe 'Miss empregada de limpeza' porque ela era latina. Donald, ela tem nome. É Alicia Machado. E tornou-se cidadã dos Estados Unidos e podes ter a certeza de que vai votar este novembro."

Foi assim que Alicia Machado entrou no debate das presidenciais norte-americanas, ontem à noite, pelas palavras de Hillary Clinton, que se referia ao tratamento que Donald Trump deu à antiga Miss Universo, numa parte do debate sobre as mulheres. O republicano ainda tentou interromper, mas sem grande convicção. Afinal, a história é contada pela própria Alicia Machado, que denunciou publicamente os insultos de que foi alvo.

Eleita Miss Venezuela em 1995, a jovem foi escolhida para ser Miss Universo no ano seguinte, aos 19 anos. Nos meses após o concurso engordou, o que não terá agradado a Trump, envolvido na organização. Segundo Machado contou numa entrevista ao The New York Times, em maio, Trump chamou-lhe 'Miss Piggy' e 'Miss empregada de limpeza', uma humilhação que diz ter contribuído para os problemas de anorexia e bulimia que sofreu.

"É alguém que gosta de comer", disse Trump na altura, numa conferência de imprensa convocada para mostrar como Machado estava a fazer exercício para perder peso, depois de ter chegado aos 76 quilos.

Como a vingança é um prato que se serve frio, quase duas décadas depois, Machado conseguiu a cidadania norte-americana - tornou-se cidadã há algumas semanas - e já disse publicamente que vai votar na candidata democrata.

No debate, Clinton insistiu na importância da forma como Trump trata as mulheres, quando questionada pelo moderador, lembrando que o magnata do imobiliário "chamou mulheres de porcas, mandrionas e cadelas" e disse que "a gravidez é um incómodo para os empregadores". Esse é também o foco de um anúncio divulgado há três dias pela campanha da democrata, que pega em frases de Trump, incluindo uma resposta numa entrevista em que assumia que não tratava as mulheres com respeito.

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