A troika de generais de Trump para manter a América segura

H.R. McMaster é o último a juntar-se à equipa presidencial. Novo conselheiro para a segurança nacional tem fama de dizer o que pensa e de gostar de desafiar as chefias.

Dois generais na reserva e um que se vai manter no ativo. É esta a troika que Donald Trump escolheu para liderar a segurança dos Estados Unidos. Herbert Raymond, ou H.R., McMaster foi o último a juntar-se à equipa do presidente, depois de ter sido nomeado conselheiro para a segurança nacional. Sem precisar de confirmação pelo Senado, o general, que irá continuar no ativo, pode começar já a trabalhar, num cargo que não sendo equiparado ao de secretário (os ministros americanos) tem grande influência em termos de política externa e segurança. Uma área na qual Trump já investira em homens das forças armadas: com James Mattis como secretário da Defesa e John Kelly na pasta da Segurança Nacional.

"A Casa Branca de Trump criou a sua própria Guarda Republicana", confessava à Reuters fonte da Administração, antes de acrescentar que ao contrário da unidade de elite que garantia a segurança de Saddam Hussein no Iraque, esta equipa "pode ser mais difícil de controlar".

A começar por McMaster. Conhecido por dizer sempre o que pensa e não hesitar em desafiar a autoridades das chefias, o general é um reconhecido estratega militar. Formado em West Point, McMaster é um veterano das guerras do Golfo (onde recebeu uma Silver Star, a mais alta condecoração militar dos EUA, pela participação da que é considerada a maior batalha com tanques desde a II Guerra Mundial) e do Iraque - onde obrigando os seus homens a estudar a cultura do país para enfrentar extremistas sunitas que viriam a evoluir para se tornarem no ISIS. Mas o desafio aos superiores valeu-lhe perder duas promoções.

"Ele é muito respeitado por toda a gente nas forças armadas e temos muita honra em tê-lo connosco", afirmou Trump na apresentação de McMaster em Mar-a-Lago, o seu resort na Florida onde passou o fim de semana e o feriado do Dia do Presidente na segunda-feira. "É um homem com um talento tremendo e uma experiência tremenda", acrescentou o presidente. A escolha de McMaster surge após o afastamento do tenente-general Michael Flynn, após notícias de que terá discutido as sanções à Rússia com responsáveis russos antes da posse de Trump. Flynn terá depois deturpado o conteúdo dessas conversas quando as apresentou ao vice-presidente Mike Pence.

A tendência de McMaster para desafiar a autoridade pode ser posta à prova muito em breve. Tudo porque o novo conselheiro para a segurança nacional dos EUA partilha da opinião mais disseminada entre as chefias militares de que a Rússia é uma ameaça para a América. Uma posição contrária à do antecessor e que pode chocar com a ideia de Donald Trump de reforçar os laços com o Kremlin.

Militarização da Casa Branca?

Apesar de nem sempre ter tido declarações elogiosas para os militares - "sei muito mais sobre o ISIS do que os generais", garantia no outono de 2016, quando ainda era candidato à Casa Branca - Trump rodeou-se de três em cargos de destaque. E não faltou logo quem acionasse as sirenes de alarme, denunciando uma eventual militarização da Casa Branca.

"Sem dúvida que estes homens trazem grande experiência. Mas é preciso ter cuidado com a dependência em relação aos militares. Grandes generais nem sempre dão grandes governantes", escreviam em finais de novembro no Washington Post Phillip Carter e Loren DeJonge Schulman, ambos antigos responsáveis do Pentágono. E deixam outro alerta: "Nomeados em grande número, podem ameaçar outra longa tradição americana: o controlo civil de umas forças armadas apolíticas".

Apesar de vários alertas, a verdade é que Trump está longe de ser o primeiro presidente a nomear militares para a sua Administração. Se não espanta que Ulysses S. Grant, ele próprio general vencedor da Guerra Civil, tenha chegado a ter quatro outros generais em simultâneo no gabinete, mais recentemente vários militares assumiram cargos de destaque no governo dos EUA.

Ronald Reagan escolheu o general na reserva Alexander Haig para secretário de Estado e Colin Powell como conselheiro para a segurança nacional. O mesmo Powell assumiria anos mais tarde a chefia da diplomacia americana na administração de George W. Bush. Pelo meio, o pai Bush escolhera o tenente-general Brent Scowcroft como conselheiro para a segurança nacional. O antecessor de Trump, Barack Obama, também não foi exceção, tendo tido ao longo dos oito anos de mandatos vários militares em cargos destacados: o general David Petraeus como diretor da CIA ou o general Eric Shinseki como secretário dos Veteranos.

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