À procura de um salvador, PSOE olha para Susana Díaz e Pedro Sánchez

Hoje o Comité Federal deve anunciar a data do próximo Congresso socialista. Ganha força candidatura única de Patxi López

Ninguém quer ser o primeiro a dar um passo em frente. Pedro Sánchez e Susana Díaz analisam cada movimento do outro antes de se pronunciarem sobre o seu futuro dentro do partido. Serão os dois candidatos a secretário-geral dos socialistas espanhóis? Algum dos dois não vai finalmente avançar? Pode aparecer uma terceira ou quarta candidatura? Hoje vai ficar decidido o calendário dos próximos passos no PSOE, agora dirigido pela comissão gestora presidida por Javier Fernández. Afundado numa séria crise, o PSOE procura um novo rumo e um líder capaz de recuperar o lugar do partido na política espanhola.

Depois da demissão de Sánchez como secretário-geral no passado 1 de outubro, dois nomes aparecem como possíveis candidatos para a liderança de um partido que não só perdeu as últimas duas eleições (dezembro de 2015 e junho de 2016) como surge em queda desde então. O próprio Sánchez e a presidenta da Andaluzia, Susana Díaz. Até agora nada é oficial e ao mesmo tempo cada vez ganha mais força a possível candidatura única de Patxi López. O ex- presidente do governo basco e ex-presidente do Congresso poderia surgir como uma espécie de salvador dos socialistas.

"Susana vai tentar o tudo por tudo, tem poucas hipóteses de voltar atrás", explica ao DN Gabriel Sanz, jornalista do ABC que acompanha a atualidade do PSOE. "Só uma terceira candidatura forte como pode ser a de Patxi López, que ameaçaria pôr em perigo a sua vitória, pode provocar uma mudança de planos de Susana", acrescenta. Sanz acha possível a vitória da andaluza, "sobretudo se há três candidatos. Existe muito anti-susanismo mas se os apoiantes dos outros dois candidatos se dividirem ela pode ser a mais votada". Para Fernando Garea, cronista parlamentário do El País, "Susana só se vai apresentar se tiver garantias de uma vitória".

Quanto a Pedro Sánchez, pouco se sabe das suas intenções. Deixou a secretária-geral com vontade de voltar a ser eleito numas primárias mas agora não está muito claro. "Depois da sua saída passou uns dias nos Estados Unidos e voltou com pouca vontade de lutar", avança Gabriel Muñoz. Mas as pessoas que estão a sua volta "e o apoiam, como Margarida Robles, estão a criar um espaço de conforto à sua volta". Garea lembra que a indecisão de Pedro Sánchez está relacionada com a falta de apoios. "A frente anti-Susana não o apoia e não sabe muito bem com quem pode contar se finalmente avançar".

Quem poderia ganhar num frente a frente entre Pedro e Susana? "Parece que Susana tem mais hipóteses porque conta com o apoio dos socialistas andaluzes. Mas não é uma garantia", esclarece Garea. "Pedro está muito debilitado e perdeu o foco mediático nos últimos meses sem esquecer que núcleos que estavam com ele foram-se embora". O analista sublinha ainda o problema que existe com os socialistas catalães, o PSC. "Vai ser importante saber se os militantes do PSC votam ou não nas primárias. Se não participam é uma forma de eliminar os votos que existem contra Susana".

Gabriel Sanz chama a atenção para as plataformas existentes (quase 30) para apoiar a Pedro Sánchez. Além disso "entre os militantes socialistas, muitos não concordam com o apoio do PSOE ao PP na tomada de posse e isso pode ser benéfico para Sánchez".

Dentro do partido, Susana conta com o apoio de socialistas de peso como Alfredo Pérez Rubalcaba, e os ex-primeiros-ministros Felipe González e José Luis Rodríguez Zapatero sem esquecer outras figuras relevantes como José Blanco e Elena Valenciano. Do lado de Sánchez estão cargos intermédios do partido, entre eles José Luís Ábalos, secretário - geral dos socialistas de Valencia e Francisco Toscano, presidente da Câmara Municipal de Dos Hermanas (Sevilha).

As sondagens favorecem mais a Pedro Sánchez. Numa das últimas publicadas pelo jornal El Español, 66% dos socialistas disseram preferir o ex-líder a Susana Diaz na secretaria-geral. A presidente andaluza só recebeu 16% de apoios. Sánchez é visto como uma figura mais forte do que Susana Díaz para combater a corrupção.

Mas é difícil saber o desfecho de um possível confronto entre ambos. "O PSOE sempre teve uma relação muito complicada com as primárias. Quando escolheram os militantes não foi do gosto da diretiva", lembra Fernando Garea.

Patxi López, o unificador?

Alguns barões socialistas levam semanas a defender uma única candidatura para assim chegar ao Congresso com mais unidade e evitar novas fraturas. E o nome que está encima da mesa é o de Patxi López, ex-presidente basco e ex-presidente do Congresso dos Deputados. Figura forte dos socialistas, pode aparecer como o ponto de união entre os dois polos, sanchistas e susanistas. E há já quem fale numa "candidatura da responsabilidade". Na opinião de Fernando Garea, "Patxi López não quer dar esse passo" e lembra a presencia de Rubalcaba por trás da candidatura. A existência de um único candidato "pode devolver legitimidade ao PSOE". Gabriel Sanz acredita que Patxi López vai avançar se Pedro Sánchez não o fizer. "López tem pouco a perder, ao contrário que Susana Díaz para quem uma derrota seria muito prejudicial para a sua carreira política".

Sem ser oficial já se fala da data do próximo Congresso, no fim de semana de 17 e 18 de junho. Caso venham a ser necessárias, as primárias seriam umas semanas antes, no mês de maio. "Pela lógica, os futuros candidatos deveriam dar a conhecer as suas intenções no mês de fevereiro, para ter tempo a preparar bem a campanha", indica o jornalista do El País. Ainda é possível uma candidatura surpresa? "Não parece que exista algum socialista capaz de aproveitar o mal-estar que existe entre muitos militantes mas pode acontecer", acrescenta Garea.

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