"A Manada". Condenados a 9 anos por abusos sexuais mas ilibados do crime de violação

Um dos magistrados pedia mesmo a absolvição. Decisão revoltou os manifestantes à porta do tribunal

Os cinco homens acusados de violação em grupo na festa de São Firmino em 2016, em Pamplona, foram condenados a nove anos de prisão por "crime de abuso sexual continuado", avança o jornal El País. A procuradoria pedia 22 anos por agressão sexual, mas, depois de cinco meses de deliberação, a pena foi diferente e houve mesmo um magistrado que num voto particular pediu a absolvição de todos.

Jesus Perez, o advogado de um dos condenados, anunciou que recorrerá da sentença e irá "até onde for necessário", defendendo que os homens devem ser absolvidos. "Não só podemos recorrer da decisão, mas há uma violação dos direitos fundamentais", disse aos jornalistas depois de ouvir a decisão da segunda secção do Tribunal de Navarra.

O advogado dos outros quatro membros do grupo, Agustín Martínez Becerra, relatou que também irá recorrer porque a sentença "cai por si só" e é "absolutamente injustificada" porque os acusam de abuso sexual com aproveitamento, crime, diz ele, do qual eles não foram acusados.

O julgamento, que ficou conhecido em Espanha como o caso "La manada", o nome do grupo da rede social WhatsApp por onde os rapazes comunicavam, já tinha causado polémica em Espanha, por haver quem defendesse que o juiz estava a julgar a vítima e não os acusados.

Os homens eram acusados de violar uma jovem de 18 anos, mas mantinha que o sexo tinha sido consentido. No grupo de WhatsApp terão falado em arranjar cordas e as chamadas drogas de violação, antes da viagem de Sevilha para Pamplona.

Para a ministério público, não era credível que uma jovem de 18 anos que nunca tinha feito sexo em grupo se envolvesse numa orgia com cinco rapazes que tinha conhecido há sete minutos na rua, sem se negar a nada e sem preservativo. "Nem nos seus piores pesadelos pensou em algo assim", disse a procuradora no tribunal, falando em "violência e intimidação".

A jovem reconheceu durante o julgamento que os homens não usaram força e que não conseguiu oferecer resistência física. Nos vídeos que foram analisados pelo tribunal, filmados pelos jovens, a rapariga mantém uma atitude "passiva ou neutra", com os olhos sempre fechados, segundo um relatório da polícia. "Só queria sair que acabasse rapidamente", disse depois a rapariga no tribunal.

Dezenas de pessoas que aguardavam o anúncio da sentença à porta do tribunal manifestaram a sua indignação pelos homens terem sido condenados por abusos e não por violação.

Vários grupos feministas convocaram para hoje à tarde concentrações em diferentes cidades espanholas, para protestar contra a decisão judicial e mostrar a sua "repulsa" por uma sentença "totalmente incompleta".

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