A Grã-Bretanha e o Islão - 20 pistas sobre uma relação

Dos cem milhões de súbditos muçulmanos que a rainha Vitória chegou a ter até ao "mayor" de Londres filho de imigrantes paquistaneses há muito a descobrir sobre a relação entre a Grã-Bretanha e o Islão

1. Cem milhões de súbditos muçulmanos
Quando a rainha Vitória morreu, em 1901, o Império Britânico tinha perto de 500 milhões de habitantes, dos quais 100 milhões eram muçulmanos. Do Egito à Malásia, passando pelo subcontinente indiano, eram muitos os territórios com populações muçulmanas que faziam parte do tal Império onde o Sol nunca se punha.

2. Guerra Santa contra os britânicos
O Sultão otomano era também califa e no início da Primeira Guerra Mundial apelou aos muçulmanos de todo o mundo que erguessem armas contra as potências inimigas, nomeadamente a Grã-Bretanha e a França, ambas com impérios coloniais. Sabe-se que o apelo do líder otomano, aliado da Alemanha, foi em grande medida ignorado.

3. Tropas muçulmanas na Primeira Guerra Mundial
Calcula-se que 400 mil muçulmanos da Índia tenham combatido pelo Império Britânico na Primeira Guerra Mundial. Gente originária dos atuais Índia, Paquistão e Bangladesh. Um grupo de historiadores britânicos está a procurar saber mais sobre esse "exército esquecido" que lutou em várias frentes, incluindo as trincheiras em França.

4. Um britânico prometeu um lar nacional aos judeus
Assinala-se este ano o centenário da Declaração Balfour, do nome do ministro dos Negócios Estrangeiros britânico que prometeu ao movimento sionista um Lar Nacional Judaico na Palestina. Até hoje os palestinianos, povo de maioria muçulmana, considera Arthur Balfour o responsável pelo início dos seus males e chegaram a exigir um pedido de desculpas a Londres.

5. Lawrence libertador das Arábias
T. E. Lawrence, também conhecido por Lawrence das Arábias, convenceu o xerife de Meca a juntar-se aos britânicos contra o Império Otomano em troca de apoio de Londres para a criação de um grande Estado árabe no Médio Oriente. A promessa não foi cumprida, pois britânicos e franceses tinham em segredo negociado uma partilha da região.

6. Uma pátria para os muçulmanos da Índia
No momento de descolonizarem a Índia, os britânicos aceitaram a divisão da sua colónia em 1947 entre uma União Indiana de maioria hindu e um Paquistão de maioria muçulmana liderado por Mohammed Ali Jinah.

7. As últimas colónias muçulmanas
Em 1971 os britânicos deram a independência ao Qatar, ao Bahrain e aos Emirados árabes Unidos, as últimas das suas colónias muçulmanas.

8. O primeiro muçulmano na Câmara dos Comuns
Mohammad Sarwar foi eleito para a Câmara dos Comuns em 1997 pelo Partido Trabalhista, tornando-se o primeiro muçulmano a conquistar um assento no Parlamento britânico. Manteve o lugar até 2010. Renunciou entretanto à cidadania britânica para regressar ao Paquistão natal, onde chegou a ser governador do Punjabe.

9. 13 deputados muçulmanos em 2015
Nas últimas eleições britânicas, em 2015, foram eleitos 13 muçulmanos para a Câmara dos Comuns, seis dos quais mulheres. O Partido Trabalhista conta com nove desses eleitos.

10. Há três milhões de muçulmanos na Grã-Bretanha
Alemanha e França são os países da Europa Ocidental com mais muçulmanos, cerca de cinco milhões cada. No caso da França, isso significa 7,5% da população. A Grã-Bretanha conta com três milhões de muçulmanos (5% da população), com dois terços a serem oriundos da Ásia do Sul.

11. Atentados do metro de Londres
O ataque bombista de 7 de julho de 2005 contra o metro de Londres e um autocarro continua a ser o maior atentado terrorista islamita na Grã-Bretanha, tendo causado 52 mortes. Os quatro terroristas, três deles nascidos no país de famílias muçulmanas e o outro um jamaicano convertido, também morreram.

12. O caso Rushdie
Salman Rushdie, escritor britânico de origem indiana, não poupa críticas na autobiografia à comunidade muçulmana britânica pela reação ao seu Os Versículos Satânicos, publicado em 1989, e que lhe valeu ameaças de morte generalizadas.

13. Um mayor filho de paquistaneses
Sadiq Khan, filho de imigrantes paquistaneses, foi eleito em 2016 para mayor de Londres pelo Partido Trabalhista. É o primeiro muçulmano presidente de câmara de uma capital da Europa Ocidental.

14. Chefe da diplomacia com avô turco
Boris Johnson, ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, é bisneto de um jornalista turco.

15. O campeão olímpico Mo Farah
Refugiado somali, o campeão olímpico dos 5000 e 10000 metros, o britânico Mo Farah, é muçulmano.

16. Guerras no mundo islâmico
A Grã-Bretanha participou ativamente em várias intervenções militares em países muçulmanos, em regra como parceira dos Estados Unidos, casos do Afeganistão, do Iraque, da Líbia e da Síria.

17. Jihadistas britânicos

Calcula-se que 500 a 750 britânicos possam ter em algum momento estado na Síria a combater pelo Estado Islâmico. O mais célebre foi Jihadi John, filmado em várias execuções e morto em 2015.

18. Militares muçulmanos
As várias guerras em países muçulmanos desincentivam muitos jovens muçulmanos de se voluntariar para as forças armadas britânicas, que conta com menos de 1% de militares da comunidade, cerca de 650 na última contagem divulgada pela imprensa britânica.

19. O sultão e a rainha

No ano passado, a publicação de The Sultan and the Queen, de Jerry Broton, revelou que no final do século XVI a Inglaterra e o Império Otomano tiveram relações secretas por causa da inimizade comum com a Europa Católica, sobretudo Espanha. Isabel I, protestante, até veria mais pontos em comum entre a sua fé e o islão do que com o catolicismo.

20. O 15.º mais rico do país é muçulmano

Na lista de milionários do Sunday Times dedicada aos residentes na Grã-Bretanha surge só um muçulmano, Mohammed bin Issa Al-Jaber, com uma fortuna de seis mil milhões de libras. O saudita é empresário hoteleiro.

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