A filha do papá que se afastou para se tornar aceitável

Advogada de formação, resistiu a entrar na política. Mas foi na Frente Nacional que fez carreira. E encontrou o amor.

Filha mais nova de Jean-Marie Le Pen, Marion Anne Perrine Le Pen, ou simplesmente Marine, tinha apenas 8 anos quando uma bomba destruiu o apartamento da família em Paris. A rapariga escapou ilesa, tal como os pais e as duas irmãs. Mas ainda hoje, a líder da Frente Nacional não esqueceu este "momento difícil". "Acordei num silêncio total. A explosão ensurdece-nos. A cama estava cheia de vidros. E aos poucos a audição começa a voltar", recordou Marine muitos anos mais tarde no canal M6.

Ver a casa destruída e o pai atacado foi um trauma para Marine, mas mesmo assim resistiu a seguir o caminho paterno na política. Formada em Direito pela universidade de Paris II-Assas, a partir de 1992 passa a exercer advocacia, contrariando os desejos do pai, como conta na autobiografia À contre flot, que desejava vê-la fazer o doutoramento antes de se iniciar na vida ativa.

Mas depois de seis anos, a advogada acaba por ceder e juntar-se ao gabinete jurídico da Frente Nacional, um partido ao qual aderira aos 18 anos. Marcada pela herança familiar - o próprio divórcio dos pais, muito mediático, coloca Marine e as irmãs sob os holofotes - a mais jovem do clã Le Pen cedo se habituou a ser marginalizada na escola devido às posições radicais de Jean-Marie Le Pen, que alia um discurso anti-imigração e antissemita.

E até em termos pessoais a vida de Marine não se dissocia do par-tido. Casada com o empresário Franck Chauffroy, antigo colaborador da FN e pai dos seus três filhos, em 2000 divorcia-se, voltando a casar dois anos depois com Éric Iorio, ex-conselheiro regional da FN. A relação termina em 2006 e três anos depois Marine junta-se ao atual companheiro, Louis Aliot, secretário nacional do partido.

O início na política não foi fácil. Em 1993 disputa as primeiras legislativas, ficando em terceiro lugar na 16.ª circunscrição de Paris. Teria de esperar até 1998 para conseguir o primeiro cargo político: conselheira regional no Nord-Pas-de-Calais. Em 2002, com a passagem do pai à segunda volta das presidenciais a deixar o país em choque, a França descobre Marine. Empenhada em limpar a imagem da FN, os anos seguintes serão de tensão crescente com o pai. Eurodeputada desde 2004, em 2010 Marine é eleita presidente da Frente Nacional. A telegénica nova líder é eleita pela revista Time uma das cem personalidades mais influentes do mundo.

Candidata às presidenciais de 2012, fica em terceiro na primeira volta. Seria nas europeias, dois anos depois, que a FN teria o maior sucesso: venceu com quase 25% dos votos. Agora espera quebrar o teto de vidro e chegar ao Eliseu.

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