28 detidos em caso de violação por vingança

Rapariga de 16 anos foi violada por vingança, após o irmão ter violado uma rapariga de 12 anos

28 pessoas da mesma família foram detidas no Paquistão por terem planeado a violação de uma rapariga de 16 anos por vingança. O caso aconteceu no início deste mês na vila de Muzaffarabad, em Multan. As autoridades paquistanesas suspenderam todos os agentes de uma esquadra de polícia por inação.

No dia 16 de julho, um rapaz de 16 anos violou a prima de 12 ou 13 anos. Como vingança, a família da vítima reuniu o conselho da aldeia e ordenou que o irmão da vítima - um adulto - violasse a irmã de 16 anos do violador.

As duas violações ocorreram com dois dias de diferença e na mesma família alargada, já que o pai do primeiro agressor é tio-avô do segundo agressor.

"São todos vítimas e arguidos ao mesmo tempo", disse o chefe da polícia de Multan, Ahsan Younis, ao Washington Post. "É bárbaro".

Younis diz que houve um acordo entre as famílias das duas vítimas para que fosse feita a violação por vingança, mas o responsável pela investigação do caso, Malik Rashid, disse à Al-Jazeera que a família da segunda rapariga violada não participou no conselho da aldeia e foi apanhada de surpresa.

"Não foi um conselho da aldeia formal como os que aconteceram no passado", contou o agente Rashid. "Foi uma reunião entre os tios e tias [da primeira vítima] da mesma aldeia".

Os familiares das duas jovens violadas apresentaram então denúncias ao Centro de Violência da Mulher da cidade.

"É uma infelicidade para a humanidade. Os acusados não vão poder escapar ao castigo", afirmou, em conferência de imprensa, Shehbaz Sharif, chefe do governo da província do Punjab (este do Paquistão), onde ocorreu a violação.

Sharif viajou hoje para Multan, onde se reuniu com a família da menor de 16 anos, a quem garantiu que os 28 detidos pelo caso enfrentarão a Justiça, segundo a Lusa.

"Se a denúncia foi feita no dia 20 de julho, porque é que não foram os acusados detidos no mesmo dia?", perguntou Sharif, que hoje suspendeu todos os agentes da esquadra em causa por negligência.

Conselhos da aldeia, conhecidos como "panchayat" são reuniões entre os habitantes mais velhos onde geralmente se resolvem problemas da área e questões legais, já que há zonas rurais onde o sistema legal paquistanês não é respeitado, explica a Al-Jazeera. São também comuns na Índia.

A mãe da segunda vítima disse que estava a dormir na noite de 18 de julho, quando três homens apareceram às duas da manhã e levaram a filha de 16 anos.

"Nós imploramos para deixarem a minha filha em paz, mas eles ameaçaram matar-nos", disse a mãe da segunda rapariga violada, segundo o relatório policial citado pela Al-Jazeera.

As autoridades prenderam as 28 pessoas que participaram no conselho da aldeia onde foi planeado o crime. Os jovens que violaram as raparigas estão entre os detidos.

Os arguidos podem ser condenados à pena de morte ou a uma pena máxima de 25 anos de prisão.

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