235 vítimas em ataque mais mortífero na história do Egito

Militares desencadearam de imediato operações onde se verificou o atentado. Até agora, o maior número de vítimas numa ação desta natureza fora de 224 vítimas, em 2015.

235 pessoas foram mortas por atacantes que abriram fogo sobre os fiéis durante as celebrações na mesquita de Al-Radwa, no norte do Sinai, entre duas das principais cidade da região, Bir al-Abed e Al-Arish, e foi o mais mortífero na história do Egito. Inicialmente, os atacantes fizeram detonar explosivos, no final das orações do meio-dia, disparando em seguida sobre as pessoas que procuravam fugir. O tiroteio durou alguns minutos e foram visadas, também, ambulâncias e veículos da polícia que chegavam ao local.

Testemunhas oculares, citadas pelas agências, estiveram envolvidos no ataque cerca de 40 indivíduos, que tomaram posições no exterior e que, após as explosões, abriram indiscriminadamente fogo à medida que os fiéis corriam para fora da mesquita. Eram quatro grupos de atacante, “dois deles disparavam especificamente sobre as ambulâncias, para as impedir de se aproximarem”, disse uma dessas testemunhas, citada pela Reuters.

Ao final do dia, as autoridades egípcias referiam a existência de 235 mortos e havia, pelo menos, 125 feridos, muitos deles em estado grave. Fontes não oficiais, referiam mais de 270 vítimas. A confirmar-se qualquer dos números, o ataque de ontem tornar-se-á o ato terrorista mais mortífero ocorrido no Egito. O maior número de vítimas mortais era, até agora, o verificado com a explosão, em pleno voo, de um Airbus A321-231, um charter russo, que partira da estância de Sharm el-Sheikh, com 224 pessoas a bordo, a 31 de outubro de 2015. Esta ação foi reivindicada pelo Estado Islâmico (EI).

O atentado de ontem teve como alvo uma mesquita pertencente a uma denominação sufi (corrente mística do islão não reconhecida por radicais islamitas, que os consideram idólatras, ainda que predominantemente sunita). E não foi o primeiro ataque de que foi vítima: um dos seus imãs foi executado em novembro de 2016 por um grupo ligado ao EI. Na época, além do assassínio do xeque sufi, duas mesquitas na região foram parcialmente destruídas por ataques bombistas.

Mas as dimensões do ataque de ontem parecem indiciar uma mudança na tática dos islamitas, que privilegiavam até operações contra elementos das forças de segurança e a minoria cristã no país.

O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, numa intervenção televisiva, anunciou três dias de luto nacional e prometeu que o “terrorismo negro” seria derrotado. Al-Sisi disse ainda que a “força sem limites” será empregue para neutralizar esta ameaça.

O ataque foi unanimemente condenado a nível internacional. Do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ao presidente americano Donald Trump, a todos os países da região, entre os quais Israel, da Rússia à Turquia, do Reino Unido à União Europeia e às autoridades portugueses, todos expressaram solidariedade para com o governo do Cairo. Noutro plano, a presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo, cidade onde se tem sucedido ataques islamitas nos últimos anos, anunciou que as luzes da Torre Eiffel seriam apagadas precisamente à meia-noite como forma de solidariedade e em homenagem às vítimas de Al-Radwa.

Al-Azhar condena

Ahmed El-Tayyeb, grande imã da mesquita Al-Azhar na capital egípcia, e uma das referências teológicas do islão, condenou o ataque como inaceitável, afirmando que “derramar sangue, atacar os lugares de culto de Alá e aterrorizar os fiéis são atos de maldade”. Também a Igreja Copta Ortodoxa, cujos fiéis e locais de culto são alvos de frequentes ataques islamitas, condenou “o brutal e sem precedentes ataque terrorista”

Pouco depois de Al-Sisi ter surgido na televisão, aviões da força aérea egípcia iniciaram bombardeamentos na região onde decorreu o ataque, atacando as áreas montanhosas em torno de Al-Radwa, onde os islamitas se teriam refugiado. Um porta-voz militar, citado pela edição em inglês do jornal Al-Ahram, explicou estar a decorrer, em simultâneo, “uma operação no terreno, que só estará concluída quando todos os atacantes forem eliminados”.

Na maior parte do Sinai está ativa uma guerrilha islamita, verificando-se frequentes confrontos entre as forças de segurança e os terroristas. Uma guerrilha que intensificou as suas ações, em 1212/13, após o afastamento do presidente Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana, derrubado por um golpe militar pelo então marechal Al-Sisi, em julho de 2013. No entanto, o grupo ligado ao EI tem divergências com a Irmandade.

Ainda ontem, um porta-voz do exército anunciou a morte de dois islamitas num confronto na zona central do Sinai. E durante a semana, em diferentes recontros, perderam a vida 12 militares, escrevia ontem The Cairo Post, citando fontes oficiais.

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