Pequim nomeia novo representante para tentar resolver crise

O Governo da China anunciou a substituição do seu representante em Hong Kong, numa decisão que parece ilustrar a vontade de Pequim em resolver o conflito com manifestantes pró-democracia que se arrasta há vários meses.

Wang Zhimin, de 62 anos, foi destituído do cargo de diretor do Gabinete de Ligação para os assuntos de Hong Kong, sendo substituído por Luo Huining, de 65 anos, informou este sábado o Governo chinês, num comunicado emitido pela televisão pública CCTV.

O Gabinete de Ligação, símbolo da presença de Pequim em Hong Kong, foi um dos alvos preferenciais dos manifestantes pró-democracia que há vários meses protestam contra o governo local, tendo sido atacado e vandalizado por diversas vezes.

A mudança na liderança do Gabinete acontece dois meses depois de o Comité Central do Partido Comunista Chinês ter pedido medidas para "garantir a segurança nacional" em Hong Kong.

Wang Zhimin tornou-se, assim, no primeiro funcionário governamental a perder o emprego, depois de sete meses de protestos, sendo substituído por um oficial sénior do Partido Comunista, Luo Huining com um currículo que inclui a resolução de problemas difíceis em várias regiões da China.

No final de dezembro, Luo Huining foi promovido a vice-presidente do Comité de Assuntos Financeiros e Económicos do parlamento chinês, após a sua saída como representante do Governo na província de Shanxi (no centro da China).

Antes, Luo foi responsável pela ligação do Governo central com algumas das regiões mais desfavorecidas, sobretudo no interior do país, o que lhe valeu um currículo que tem sido elogiado pelo Partido Comunista Chinês.

A chefe executiva do governo de Hong Kong, Carrie Lam, já reagiu à nomeação, num comunicado em que diz não ter dúvidas de que o novo representante do Governo chinês promoverá "a integração da região no desenvolvimento geral do país" e será capaz de estabelecer uma relação positiva entre o continente e Hong Kong.

Carrie Lam também agradeceu a Wang Zhimin pelo "apoio inabalável" que deu durante estes meses de crise do território autónomo, atormentado desde junho por atos de violência sem precedentes.

Sob o regime "um país, dois sistemas", Hong Kong, com mais de sete milhões de habitantes, desfruta, até 2047, de uma semiautonomia e de liberdades que não existem na China continental, como um sistema de justiça independente e liberdade de expressão.

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