Série retrata emancipação feminina no jornalismo

"Good Girls Revolt" baseia-se nas 46 mulheres que processaram em 1970, e com êxito, a Newsweek por discriminação de género. A emissão será na plataforma americana Amazon

23 de março de 1970. "Women in revolt" era o único texto que se lia na capa da revista norte-americana Newsweek, que dedicava ao novo movimento de libertação feminina uma grande reportagem. Curiosamente, na redação da publicação, nenhuma das suas funcionárias era jornalista, editora ou diretora - esses cargos estavam atribuídos apenas aos homens.

No mesmo dia em que esta edição da Newsweek chega às bancas, um grupo de 46 mulheres que lá trabalhavam (responsáveis pelo correio, clipping, arquivo ou até pelos cafés) decidiram processar a revista por discriminação de género. O resultado? Cinco anos de audiências judiciais depois, em 1975, um terço dos repórteres da Newsweek eram do sexo feminino, um terço dos cargos que antes pertenciam às mulheres foram ocupado pelos homens e, pela primeira vez, uma mulher foi eleita editora sénior da publicação de referência, Lynn Povich.

A conquista deste grupo de mulheres, o primeiro no mundo dos media a processar uma empresa por desigualdade de oportunidades, levou a que o mesmo acontecesse, de seguida, em publicações como a Time, The Reader"s Digest, The New York Times, a estação NBC ou a agência Associated Press, entre outras.

Mas não só. Inspira, quase 40 anos depois, a nova série dramática da Amazon, Good Girls Revolt, que se estreou na plataforma de streaming na passada quinta-feira com a sua primeira temporada, e que tem recebido críticas favoráveis. A série norte-americana, com dez novos episódios, baseia-se diretamente no caso da Newsweek, tendo sido adaptada do livro The Good Girls Revolt, lançado em 2012 por uma das protagonistas reais, Lynn Povich.

A discriminação de género, o sexismo, as desigualdade de oportunidades e a emancipação feminina dão o mote a este novo projeto, que tem apenas pequenas diferenças em relação ao caso em que é inspirado, como, por exemplo, o nome da publicação, News of the Week. E que já tem sido referido, por vários meios de comunicação, como o novo Mad Men.

Uma das filhas da multigalardoada Meryl Streep, Grace Gummer, é uma das atrizes que encabeçam o elenco, ao lado de Genevieve Angelson, Anna Camp ou Erin Darke. São elas que dão vida a um grupo de jovens, a trabalhar no arquivo e na pesquisa desta redação, mas à procura da oportunidade para poderem ser jornalistas.

Ao recordar a década de 60 em Nova Iorque, no prefácio do livro The Good Girls Revolt, que inspira a série, Lynn Povich explica: "As mulheres tiveram de rejeitar tudo aquilo que lhes foi incutido na infância, sobre o papel da mulher na sociedade. Tivemos de redefinir as nossas expectativas, ambições, e nós mesmas", adianta a autora.

Lynn Povich acrescenta, no mesmo texto, que o mundo do jornalismo é, nos dias de hoje, muito diferente daquele que ajudou a mudar, em 1970, mas deixa o recado de que ainda existe, sim, discriminação de género no mundo profissional, embora seja "de forma mais subtil". Good Girls Revolt ainda não tem estreia marcada para Portugal.

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