Parlamento Europeu pede investigação ao Facebook

Em causa está uma alegada má utilização de dados dos usuários da rede social para fins políticos

É como uma "violação inaceitável dos direitos dos cidadãos" que o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, encara os alegados relatos que dão conta do mau uso do Facebook para fins políticos, postos a descoberto depois daquela plataforma ter sido ligada à Cambridge Analytica, uma empresa de recolha e tratamento de informações sobre eleitores que utilizou a informação da rede social para ajudar políticos em 2016, incluindo nos EUA e no Reino Unido, ter sido exposta.

Numa publicação no Twitter, Tajani considera ser necessária uma investigação completa por parte do Parlamento Europeu a estas "violações". A empresa terá usado a aplicação thisisyourdigitallife? para roubar dados de pelo menos 50 milhões de perfis do Facebook ajudando Donald Trump, nos EUA, e os defensores do brexit, no Reino Unido.

O assunto é da esfera da justiça. Por isso, a comissária europeia da Justiça, Vera Jourova, vai discutir o problema com a rede social e com o Governo norte-americano durante uma visita aos EUA a acontecer esta semana. "Da perspetiva da União Europeia, o mau uso de dados pessoais de utilizadores do Facebook para fins políticos - se confirmado - é inadmissível", lê-se em comunicado.

O Facebook já respondeu. A rede social desmente as acusações e defende que a aplicação da Cambridge Analytica foi removida em 2015 e que a informação sobre os utilizadores foi completamente destruída. Ainda assim, as ações do plataforma online ressentiram-se das suspeitas e caíram 4% no período de pré-abertura da sessão da bolsa de valores desta segunda-feira.

Já no ano passado, esta rede social foi investigada por uso de informação na manipulação da campanha eleitoral norte-americana por agentes russos.

Como foram "roubados" os dados dos utilizadores

A verdade é que se for utilizador do Facebook os seus dados podem estar em risco e serem utilizados e recolhidos contra a sua vontade.

Neste caso, as contas foram "saqueadas" sem o consentimento dos utilizadores - ainda que a Cambridge Analytica diga o contrário. Os dados usados pela tecnológica foram recolhidos através de uma aplicação que convidava os usuários a fazer um teste de personalidade, criado pelo investigador Aleksandr Kogan. Quem fazia o teste acreditava estar a participar de uma investigação universitária, quando na verdade os dados estavam a ser utilizados na criação de perfis de marketing que visavam aumentar a capacidade de influência do mensageiro junto das pessoas, neste caso do eleitorado norte-americano.

Proteja os seus dados no Facebook

Este escândalo volta a levantar questões sobre a privacidade dos dados. É cada vez mais importante estar atento às aplicações a que se conecta através da sua conta de Facebook.

Para saber que aplicações têm acesso aos seus dados na rede social basta aceder ao separador das "Definições" e depois clicar no separador "Apps". Aqui pode fazer a gestão de privacidade de todas as aplicações a que está ligado, uma a uma.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG