Exclusivo No Burquina Faso, o último deadline de David Beriáin e Roberto Fraile

Conheciam os perigos a que estão expostos os jornalistas em palcos de guerra, mas nunca hesitaram antes de iniciar uma investigação potencialmente explosiva. David Beriáin e Roberto Fraile, os jornalistas espanhóis assassinados esta semana, estavam a realizar um trabalho sobre a caça ilegal como financiamento de organizações terroristas.

Estamos a sofrer como cães, mas continuamos a lutar", disse, na sua última mensagem de WhatsApp a um colega, o jornalista espanhol Roberto Fraile, 47 anos, assassinado, na passada segunda-feira juntamente com o seu companheiro de reportagem, David Beriáin, de 43, e o ativista irlandês Rory Young, numa reserva natural do Burquina Faso. Os factos são conhecidos: os dois jornalistas espanhóis, integrados num comboio militar de 40 soldados que patrulhavam o parque natural de Arly, junto à fronteira com o Benim, foram vítimas de uma emboscada da Frente de Apoio para o Islão e para os Muçulmanos, vinculada à Al Qaeda e com base no vizinho Mali, que, aliás, reivindicou a autoria do atentado na internet.

Beriáin e Fraile estavam a trabalhar num documentário sobre a caça ilegal na região do Sahel enquanto fonte de financiamento de organizações terroristas e conheciam bem os perigos a que estavam expostos. Como ao longo desta semana testemunharam diversos jornalistas que com eles trabalharam, há muito que seguiam o mote de outro repórter mítico, Ryszard Kapuscinski, no livro-reportagem Mais um Dia de Vida, Angola 1975: "É incorreto escrever sobre as pessoas sem passar um pouco pelo que elas estão a passar."

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