"Não estaria aqui hoje sem a Oprah"

São as duas mulheres mais poderosas da televisão nos Estados Unidos - e no mundo. Oprah Winfrey e Ellen Degeneres partilham percursos profissionais semelhantes, mas de vida distintos. Todos os anos, esta é a semana que as une. A semana em que ambas celebram os seus aniversários

Quando Ellen Degeneres nasceu, Oprah Winfrey tinha quatro anos, vivia com a avó numa zona rural do Mississípi e a pobreza vestia-lhe sacas de batatas para que pudesse ir para a escola. Estavam a apenas 400 quilómetros de distância, mas separadas por mundos distintos. Ellen, filha de um agente de seguros e de uma agente imobiliária, viveu com os pais em Metairie, mesmo depois de estes se terem divorciado. Frequentou o secundário, ingressou na faculdade - desistiu no final do primeiro semestre -, trabalhou como empregada de mesa, pintora de casas e bartender. Oprah, filha de um casal de adolescentes separados, passou a infância e juventude aos cuidados ora da mãe, uma jovem com pouco tempo para lhe dar atenção, ora da avó, uma senhora com princípios rígidos e mão pesada. Winfrey confessaria mais tarde ter sido sexualmente agredida por um tio e pelos primos, o que a levou a fugir de casa aos 13 anos. Meses depois, estava grávida. O filho morreu de complicações pós-parto.

Começos de vida antagónicos, mas destinos semelhantes. Ellen DeGeneres, que celebrou 59 anos na quinta-feira, e Oprah Winfrey, que comemora amanhã 63, são hoje as duas mulheres mais poderosas da televisão dos EUA. E do mundo. Opinion makers, a primeira tem uma fortuna avaliada em 70 milhões de euros, a segunda em 2,8 mil milhões. Mesmo depois de ter deixado, em maio de 2011, os ecrãs tradicionais ao fim de duas décadas e meia à frente do The Oprah Winfrey Show, até então o talk show diurno mais antigo dos EUA e o programa com maior audiência televisiva do país, a afro-americana mantém-se recordista de presenças nas listas das celebridades mais ricas e poderosas da Forbes. Degeneres, que conduz desde 2003 o The Ellen Degeneres Show, continua a usar a TV para lutar pelos valores em que acredita. E continua, ainda hoje, a recusar ser colocada no mesmo patamar da "mestre". "Não estaria aqui hoje sem ela. A Oprah será sempre a rainha da televisão do daytime."

Terá sido a admiração - e a consciência de que quase tudo aquilo em que toca se transforma em ouro - que levou Degeneres a escolher o programa de Oprah para assumir a sua orientação sexual. Aconteceu em fevereiro de 1997, e foi esse o momento em que a loira de olhos azuis atingiu o seu pico de popularidade. Desde então, foram visita uma da outra nos respetivos palcos em diversas ocasiões.

Atriz, produtora, filantropa e empresária, Oprah sabe reconhecer o império que conquistou. Começou com a vitória de Miss Black Tennessee aos 17 anos. "Venci sendo eu mesma. Construi uma carreira da minha autenticidade", disse em tempos, acrescentando: "Falo com os meus cães da mesma maneira que estou a falar agora." Oprah, nome inspirado na personagem Orpah do Livro de Rute, do Antigo Testamento, já viu a carreira ser premiada com 48 galardões. Ellen diz querer "sempre tudo" e podia ter-lhe seguido os passos em número de distinção. Mas não: superou-as, contando com 81. "Nunca sigam as pegadas de ninguém, a não ser que estejam perdidos na floresta. Aí, devem segui-las", aconselhou, com o humor que lhe é característico.

O poder e a política

Na nova América do republicano Donald Trump, as apresentadoras posicionam-se ao lado dos democratas. Fizeram-no durante a campanha eleitoral, com entrevistas a Hillary Clinton e ao casal Obama. Aliás, Oprah, no seu canal por cabo OWN, e Ellen, no seu talk show do Syndication, receberam várias vezes Barack e a mulher, Michelle, durante o seu mandato. Estima-se que o ex-presidente dos EUA tenha tido mais de um milhão de votos nas presidenciais de 2008 graças ao apoio dado por Winfrey, considerada pela revista Time uma das cem pessoas mais influentes do século XX.

Ainda assim, Oprah - quando abriu um perfil no Twitter, em 2009, conseguiu um milhão de seguidores em 24 horas - nunca foi tão assertiva nas opiniões políticas como a "aluna", embora ambas desvalorizem a palavra "poder". "Há tantas definições de poder como mulheres para o exercer", assegura a afro-americana. Também Degeneres, vegan e defensora dos direitos dos animais, já admitiu não pensar "no poder" que a TV lhe dá e frisou não estar sequer "interessada em converter-se numa figura política". "Tento usar esse poder para mostrar que podemos concentrar-nos nas coisas que nos unem e não naquelas que nos separam. Mas também sei como funciona o mundo e estou ciente de que muitas pessoas olham para mim todos os dias."

Do lado oposto da barricada está a palavra solidariedade. Com 34 anos de carreira, Oprah Winfrey angariou donativos acima de 500 milhões de euros. Ellen, que se iniciou na stand up comedy em 1981, conseguiu mais de 46 milhões.

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