Império Playboy poderá ser vendido

Playboy contratou um banco de investimento para avaliar o interesse de potenciais compradores. Negócio poderá render quase 500 milhões de euros.

Há 63 anos, Hugh Hefner despoletava a revolução sexual, com o lançamento da revista Playboy. Mas o império que construiu ao longo dos anos pode estar prestes a mudar de mãos. Segundo o The Wall Street Journal, a empresa Playboy Enterprises contratou um banco de investimento para avaliar o interesse de potenciais compradores. Fontes da publicação revelam, ainda, que esta poderá ser vendida por mais de 500 milhões de dólares (447 milhões de euros).

A notícia é avançada poucos meses depois de a mansão Playboy, em Los Angeles, ter sido colocada à venda por cerca de 183 milhões de euros, com o requisito de que o seu residente de longa data, o magnata de 89 anos, continuasse lá a viver. O CEO do grupo, Scott Flanders, admitiu entretanto, à CNN, que a possível venda da Playboy "teve origem no interesse gerado pela venda da mansão", e que o negócio está a ser gerido pela firma de investimento Moelis & Company, também ela sediada na famosa cidade do estado da Califórnia.

A Playboy Enterprises, fundada por Hefner em 1953 (e que deixou de ser cotada em Bolsa em 2011) é hoje uma das empresas mais valiosas do mercado norte-americano. E não só pela mansão ou pela famosa revista erótica. "O coelho da Playboy é uma das marcas mais reconhecidas em todo o mundo, e a figura de robe e cachimbo criada pelo Hefner é também uma marca por si só. Muito depois de ele morrer, a sua imagem terá potencial de negócio", escrevia, já em 2013, a Forbes.

No entanto, o valor da revista Playboy tem vindo a decrescer, e muito, nas últimas décadas: em 1975 atingia os 5,6 milhões de subscritores; hoje em dia, fica-se pelos 800 mil, escreve o The Washington Post. Para a perda acentuada de público, muito terá contribuído a decisão de acabar com as fotografias de nus integrais, que foi implementada no site em 2014, e em papel nesta última edição de março.

"Há muitas coisas que estamos a manter, do ADN da revista, mas também há muito que está a evoluir", disse à CNN o diretor principal de conteúdos, Cory Jones. Além da nudez total, a publicação também deixa incluir, de agora em diante, anedotas e banda desenhada. Com estas mudanças, a Playboy está a tentar chegar a um público novo. Mas à semelhança de milhares de leitores, também o filho mais novo do magnata, Cooper Hefner, apontado como seu sucessor, já manifestou o seu desagrado. "Não concordo [com a nova estratégia] porque acho que os millenials não veem a nudez como o problema, mas sim a forma como a nudez e as raparigas eram retratadas".

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