"Diário Económico" penhorado

Fisco penhorou receitas do jornal. Diretor comunicou hoje à redação que situação financeira se "agravou"

"Achei que era meu dever comunicar à redação que a situação está muito complicada", admitiu Raul Vaz, diretor do Diário Económico (DE), contactado esta quarta-feira pelo DN após ter sido tornado público que o fisco penhorou as receitas da publicação, o que agravou mais a situação financeira do jornal que está em processo de venda.

O jornal, propriedade da empresa Ongoing, tem enfrentado problemas, com atrasos no pagamento a fornecedores e salários em atraso, o que o diretor do diário confirmou. Ainda assim, Raul Vaz garante que o objetivo é lutar pela continuidade da publicação e dos cerca de 160 postos de trabalho."Tudo farei para que o jornal não feche as portas e estou envolvido ativamente na procura de uma solução para que isso não aconteça", disse ao DN.

O grupo económico liderado por Nuno Vasconcelos mandatou o BES Investimento (BESI) para encontrar interessados na compra do DE e da ETV - canal de televisão do diário, criado em 2010 - mas o jornal tem uma dívida de 30 milhões de euros, perdas mensais de exploração de 200 mil euros e os decorrentes problemas de tesouraria. O empresário angolano Domingos Vunge tem sido apontado como um dos interessados em comprar o DE e a ETV - mas a venda ainda não se concretizou. A penhora do Fisco vem tornar esta solução ainda mais urgente.

Raul Vaz é diretor do DE desde abril deste ano, após a demissão de António Costa, que assumiu a direção do jornal em 2008, na sequência da compra da publicação pela Ongoing. A demissão foi conhecida semanas depois do administrador da empresa, Rafael Mora, ter abandonado a administração do grupo.

No dia 30 de novembro foi anunciado o despedimento de dois terços dos trabalhadores dos jornais Sol e I, depois do grupo angolano Newshold ter desistido das duas publicações. Hoje foi o primeiro dia em que os títulos saíram sob a égide da nova empresa - a Newsplex. Dos cerca de 120 trabalhadores que faziam parte da Newshold, apenas 67 continuaram a ter um contrato de trabalho. A criação do novo projeto implicou ainda reduções de salários e cortes radicais nas despesas das duas publicações.

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